segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Vamos falar de bullying?



Bullying é um termo em inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (bully - «tiranete» ou «valentão») ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz(es) de se defender. Também existem as vítimas/agressoras, ou autores/alvos, que em determinados momentos cometem agressões, porém também são vítimas de bullying pela turma.


Ultimamente os programas de TVs vêm falando constantemente sobre o assunto.
A verdade é que esse tipo de coisa sempre aconteceu, a diferença está na forma como é encarado pela vítima e na violência que é utilizada nos dias de hoje.
Trotes e apelidos maldosos sempre foram utilizados por adolescentes.
Meu marido, ao entrar para o Colégio Pedro II de São Cristóvão, ganhou o simpático apelido de “Capitão Gay”.
Para quem não conhece, era um personagem do programa do Jô Soares, no “Viva o Gordo”. – Veja o vídeo.
Até hoje seus amigos de colégio se lembram dele pelo apelido.
Isso não era um tipo de discriminação?
Se me lembro bem, essas turmas tinham 40, 45 alunos. Agora imaginem todos te chamando de “CG” – diminutivo de “Capitão Gay”.
Temos ai dois tipos de agressão verbal: Ele era chamado de gordo e de gay ao mesmo tempo.
Reações mais violentas também aconteciam, entretanto, era tratado de uma forma diferente.
É certo que o mundo está mais violento, as pessoas estão mais violentas.
Hoje assistindo a um telejornal vi 3 carros serem incendiados, 1 mulher sendo morta por ex-companheiro, vários assaltos e “arrastões”, pessoas que se dizem perseguidas por milicianos e 4 brigas de boates!
A facilidade de mostrar os fatos também é muito maior, pois hoje em dia qualquer criança de 6 anos tem um celular que filma!
Isso, por um lado é muito bom, pois você instrui a criança para filmar tudo que ela achar que está errado.
Meu filho, por exemplo, filmou a professora correndo atrás dele para tomar o seu celular à força, quando ele se negou a entregar, quando ia entrar num ônibus para um passeio escolar.
Entendo que celular tocando dentro de sala incomoda, mas em um passeio?
O celular é sim uma arma contra o bullying!
O principal que todos deixam de falar é que o bullying só existe porque a pessoa se coloca na posição de vítima eterna e “permite” que o agressor se sinta poderoso.
No caso de meu marido, embora ele se sentisse desconfortável com o apelido, resolveu “encarar” o personagem, dando ao seu agressor a sensação de frustração.
Por mais que o agressor tentasse denegrir a sua imagem perante os outros alunos do colégio, ele mostrava que pouco se importava. Era como se dissesse:
- Sou gordo? E daí?
- Sou gay? E se for?
Se reagisse de outra forma, talvez a reação do agressor fosse ainda mais violenta.
Diga que é mentira quem nunca sofreu esse tipo de agressão no colégio.
Eu era gorda e sofria uma série de discriminações por causa disso. Acabei me isolando e desenvolvendo um misto de bulimia com anorexia.
O mundo perfeito não existe, pessoas perfeitas não existem. Todos nós temos defeitos.
A grande diferença no bullying praticado hoje e no bullying praticado há 10, 20 anos atrás, está na importância que se dá ao fato.
Quem nunca sofreu discriminação por ser diferente?
Diferente sim, somos todos diferentes. Se eu procurar um defeito em qualquer pessoa eu vou achar. E se eu resolver usar isso para denegrir essa pessoa e sentir que ela se “incomodou” com isso, vai me causar uma sensação de poder.






Já se perguntaram por que os paparazzis incomodam tanto?
Porque tentam mostrar as celebridades em situações constrangedoras que, para mim, é um tipo de bullying alimentado pela indústria da curiosidade humana. Mas isso é assunto para outro texto.
Agora, meu caro leitor, gostaria que respondessem, mesmo que mentalmente, algumas perguntas:

1 – Você já teve algum apelido no colégio que não gostava?
2 – Qual?
3 – Alguma vez se sentiu ameaçado ou teve medo de algum colega de turma?
4 – Já fez algum trabalho de escola em que sentiu necessidade de colocar o nome de alguém apenas para se sentir enturmado ou por medo?
5 – Já sofreu alguma agressão física no colégio?
6 – Já se sentiu usado por alguém que ouviu seus sentimentos e depois contou para todos de modo pejorativo?
7 – Já se sentiu excluído apenas por ser considerado diferente?
8 – Já se sentiu julgado por sua cor ou condição social?
9 – Já teve a impressão de que quando você passa as pessoas falam de você?
10 – Já esteve em algum local que, quando você chega, as pessoas se afastam?

Se você respondeu sim para 4 ou mais perguntas, você já sofreu bullying.
Não fique triste, pois eu respondo sim para as 10 perguntas, aliás, as perguntas são baseadas na minha experiência de vida, que sou atéia num condomínio fechado onde todos são evangélicos – ou fingem ser.

11 comentários:

A. Reiffer disse...

Oi, Kátia. Obrigado pelos comentários. Respondendo tua pergunta, o que escrevo não é somente uma expressão pessoal, digamos que é uma expressão também daquilo que assimilo da humanidade. Os seus tempos atuais. E parabéns pelos teus textos sempre conscientes e críticos. Abraços.

Aмbзr Ѽ disse...

1- eu ja fui chamada de varias coisas no colegio, mas nao lembro de ter apelido.

3- já apanhei de uma colega de sala, e na 5ª serie morria de medo de uma menina maior q era ldier da minha sala. na 6ª, quase apanhei de uma menina pq a denunciei a diretoria qnd a vi roubar dinheiro de um menino menor.

4- por medo nao, mas enturmado sim...

5- respondi na 3.

6- sim, minhas amigas faziam muito isso (se é que se pode chamar de amigas).

7- sempre fui excluida.

8- nao. a aparencia e as roupas eram tipos de gozação mais comuns.

9- no trabalho isso acontece (tem bullyng no trabalho? kkkk)

10- ja aconteceu, mas nos ultimos dias de colegio ja nao tava mais acontecendo.

Katia Cristina disse...

Ambar

Existe sim bullying no trabalho, na escola, no condomínio...
Todos os que são considerados diferentes sofrem.
Obrigada por responder.

Professora Carla Fernanda disse...

Bom dia Kátia! Foram os alunos que escolheram a música, que eu nem conhecia. A partir da música, que como vc pode ver, é de pleno conhecimento dos alunos, trabalhamos as questões da vida real, a importãncia dos sonhos e tudo o mais. E a partir do que os alunos trazem, que vamos trabalhando a conscientização.
Carla

Ju Fuzetto disse...

Adorei a postagem super interessante.Acho que em algum momento de nossas vidas já sofremos algum tipo de bullying.

Um beijo querida Parabéns teu blog é uma graça!!

beijos

Maria Betânia disse...

Oi, Kátia.
Trazes um tema deveras pertinente.
Concordo com vc em muitos aspectos e sobre Bullyng, o q realmente acho é q as pessoas estão melindrosas demais, ninguém pode dizer nada q tudo fere, machuca...
Que tipo de pessoas estamos forjando?
Como bem colocaste, a pessoa se coloca como vítima.
Na escola sofri este tipo de coisa, todo mundo já passou por isso.
Mas eu nunca mendiguei amizade ou atenção de ninguém, como filha única aprendi a ser sozinha e gostar disso, sei meu valor, quem quiser ser meu amigo q seja!Sempre pensei assim, quando um coleguinha não se mostrava amistoso eu pensava:
"Azar dele! vai perder uma boa amiga!' rs
Falta de modéstia? Pode ser, mas é assim q sou.
Como professora eu procuro passar este comportamento aos meus alunos.
Por vezes um deles vem com nhem nhem, então eu digo:
"Se vc for se importar com tudo q dizem e pensam, vc vai ficar doido!" Cuide de suas coisas e de sua vida e siga em frente!
Resumo: O q os outros pensam ou deixam de pensar ao meu respeito (ou seu respeito) É UM PROBLEMA DELES!

Valeu pelo tema, acho q ele pode render bastante e se desdobrar em outras discussões.

Abraços.

Katia Cristina disse...

Ju

Obrigada pela visita

Katia Cristina disse...

Betania

Sabes o que penso: os psicólogos classificam um determinado comportamento, a imprensa faz a apologia e pronto! Está formada a confusão!
Há colégios onde a violência é diária, sabemos disso, mas nem tudo pode ser classificado como bullying!
As crianças são cruéis e os adolescentes são piores ainda.
Se você não é magra, loira e de cabelo liso, você não é ninguém!
Mais uma vez estamos "importando" um comportamento deplorável do "nosso patrão". Estamos estimulando o mais forte a abusar do mais fraco.
Eu fui uma criança que se isolava em seus livros e uma adolescente que participava de corais para se sentir importante.
Em minha opinião, a diferença está na estrutura familiar que não prepara pessoas fortes e independentes.
Vi uma reportagem onde um senhora passou por um "arrastão" no RJ e falava ao apresentador que o neto dela de 10 anos ia precisar de apoio psicológico depois disso.
Se ela mora na Tijuca e a cada vez que passar por uma situação de perigo o neto precisar de psicólogo, é melhor ela contratar um eternamente.
Quando meu filho tinha 10 anos, eu estava levando ele para o colégio quando demos de cara com "uma queima de arquivo da milícia". Foi tanto tiro que ficamos sem telefone e luz por horas. Expliquei a situação, mas não o levei ao psicólogo.
"O mundo é duro com quem é fraco."
bjs

Claire Minuet disse...

Bem, ótimo blog!
este post bem atual, isso acontece mesmo, comigo, com amigos meus, é triste demais...

Katia Cristina disse...

Tem que ter atitude!
Quando dá importância a algo dá poder a quem faz!

Maria Betânia disse...

Kat, quando me pronuncio a este respeito as pessoas costumam me olhar de cara feia, não entendo a razão deste estranhamento, afinal a vida é cheia de "nãos", mas a pedagogia "muderna" rs... acha q tudo é um conto de fadas...
Ai, ocorre coisas patéticas como a de uma garota de uns 14 anos, que a mãe tinha q leva-la á escola e ajudar a atravessar a rua...(Pelamordedeoss) Vide= Patetices do Fantástico...
Resultado se cria uma "cavalona" rs como diz meu velho pai sem saber nada da vida, tola e cheia de fricotes!
Os adolescentes de classe média tem até um tom de voz de tatibitati, vide=Patetices do Altas Horas...(Num guento)