sexta-feira, 20 de setembro de 2013

A minha peregrinação pelo serviço público de saúde




Nessa segunda fez exatamente uma semana que eu entrei em contato com a Clínica da Família Dr. Dalmir de Abreu Salgado.
Lógico que entrei em contato e nada aconteceu.
O que as pessoas que trabalham no serviço público esquece é que existe uma coisa chamada OUVIDORIA.
Mas não pensem que a coisa é fácil assim, nada nesse país é. Você reclama, a unidade entra em contato, dá uma desculpa esfarrapada para a ouvidoria e diz que basta você aparecer na unidade que será atendido de maneira prioritária.
A gente se engana, achando que isso realmente vai acontecer e vai até lá na esperança de ser atendido, entretanto, eles te "cozinham" durante uma manhã inteira e depois "te chutam" para o mês que vem - e ainda te olham com aquela "cara de monstro", tipo: "Gostou? Você reclamou e nós não estamos nos negando a te atender, porém, você depende de nós e agora vai esperar".
Só que eles também esquecem que, não sendo o acordado, podemos voltar a reclamar e, quando isso acontece, uma simples justificativa não bastará para a ouvidoria.
Após ir a tal unidade e ser "chutada" entrei em contato, de novo com a ouvidoria e, milagrosamente uma consulta apareceu, para mim, para a próxima quarta.
Mas vamos lá: Quando reclamei da primeira vez a agente ligou para minha residência e disse para a ouvidoria que esteve na minha casa em junho e que, como não tem hipertenso ou criança, só tem que fazer visitas de 3 em 3 meses.
Vamos lá: Realmente, em junho ela esteve na minha casa gritando o nome de outra moradora do condomínio, quando falei que era na casa ao lado ela me perguntou se eu estava precisando de algo da clínica, como disse que não, ela foi embora e pronto!
Ela me conhecia tanto que, quando foi obrigada a vir a minha residência, ficou perdida pelas ruas do condomínio, me ligando do celular até eu ir para a porta e acenar para ela.
Quando finalmente me encontrou, disse que marcaria uma consulta para mim e que, se precisasse de algo que eu poderia procurá-la de manhã na clínica. 
Estive lá na quinta, sexta e nada.
Na segunda, meu marido que é uma pessoa cabeça quente, foi lá com uma cópia da resposta que eles deram para a ouvidoria - dizendo que eu seria atendida se fosse lá - e foi quando todo o resto aconteceu.
A conclusão é que, após tantas reclamações, a clínica está sob intervenção, isto é, pagarão por todos os pecados de todas as clínicas da família e serão espremidos até se tornarem um exemplo para os demais.
Sinto muito, mas tudo poderia ter se resolvido da melhor forma possível.
Lógico que, se eu estivesse de braços cruzados esperando algum tratamento, estaria cheia de bolinhas coçando e, talvez estivesse com febre e muito pior.
Como todo brasileiro, estou tomando banho com sabonetes medicinais e usando loções para pele, mas não sou médica e, não sei se é o melhor tratamento.
Assim que as coisas forem evoluindo, volto para contar mais um capítulo da minha sina.
Uma coisa que esqueci de mencionar: Ontem, quando a agente de saúde veio em minha residência trazer a tal consulta, se queixou porque a gente reclamou e agora a clínica estava sob intervenção e disse que só não trouxe a consulta antes porque não tinha ido trabalhar. 
Resumindo: Ela foi trabalhar na quinta, quando eu reclamei a primeira vez e ela veio até minha casa e só voltou uma semana depois porque eu reclamei de novo!


OBS - Nem bem terminei esse texto e vi uma propaganda da prefeitura dizendo que investiu um milhão e meio de reais nas Clínicas da Família.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Dois mais dois não dá três












O povo foi às ruas no domingo, em dia de eleição para mudar o país e o país mudou, mas não agradou.
Então o povo voltou a ocupar as ruas e exigiu mudanças, mas elas não aconteceram.
Os governantes foram para as urnas e votaram para que o povo não possa mais ir para as ruas sem autorização.
E para haver hoje uma manifestação é exigido que se peça permissão.

Uma questão complicada





Nas últimas eleições para prefeito do Rio de Janeiro, estava voltando para casa de van, pois onde moro o transporte alternativo é mais do que alternativo, é uma necessidade, e ouvia o motorista dizendo a um conhecido que "eles" - acredito eu que se tratava de outro motorista de van - tinham que "fechar" com o Eduardo Paes, pois prometeu regulamentar o trasporte.
Eu, que já não acreditava que as coisas podiam melhorar em nada, ouvia calada e ficava pensando se ainda não podia ficar pior.
Nesse meio tempo eu vi o Brasil "ganhar" a sede da Copa das Confederações, da Copa do Mundo e o Rio de Janeiro ser eleito para sediar as Olimpíadas.
Isso, é claro, sem falar na visita do Papa na Jornada mundial da Juventude.
Todos esses eventos trazem ganhos para o país seja na infraestrutura, seja no turismo e desenvolvimento.
O que eu me pergunto é se um país que tem tantos problemas estruturais deveria realmente investir tanto para sediar tais eventos.
Vejam nosso sistema de transporte, por exemplo, é vergonhoso comparar um trem da Supervia com o trem bala Japonês inaugurado em 1964!
Em 1964 os trens no Japão já eram melhores do que os que temos hoje em 2013 no Rio de Janeiro.
Mas voltando a vaca fria, para receber a tal Copa das Confederações, os estádios de futebol foram reformados para seguirem o "padrão FIFA" e, com isso foram gastos alguns milhões. 
É uma pena que a FIFA não tenha pensado em exigir o mesmo padrão para os hospitais, por exemplo, pois assim nosso sistema de saúde estaria um pouquinho melhor.
Pouco antes do início da tal copa, houve um aumento de passagem, já previsto e a população resolveu se manifestar contra. Mas não foi uma coisa só contra as passagens, a população resolveu dizer que nunca foi a favor desses eventos que tanto alegraram os governantes quando ganharam a concorrência.
Como assim? 
O Brasil não é o país do futebol?
Como podem vaiar o presidente da FIFA e a presidente do país no dia da abertura?
Houve muitas manifestações, muito quebra quebra, muito sentimento de patriotismo e tudo ficou esquecido após a visita do Papa Francisco.
Sobre a visita do Papa há uma consideração que gostaria de fazer: O Capus Fidei.
O "Campo da Fé" foi construído em uma área de preservação ambiental permanente. Árvores foram derrubadas e sobrou apenas uma grande área com o altar e mais nada. Mas era um nada tão absoluto que choveu e tudo virou lama e o Papa não pode ir até o local.
Agora a área é um nada mais absoluto ainda, pois não tem mais vegetação e nem a lembrança do Papa.
O prefeito chegou a anunciar que o local ia virar um bairro popular. Bairro popular tipo Cidade de Deus?
Como o Papa já é notícia velha, pois vai começar o Rock in Rio, é bem provável que o terreno já tenha sido invadido por algum movimento de sem teto. Depois a prefeitura entra com o IPTU e a promessa de infraestrutura. 
Primeiro o IPTU, depois, ...
No país dos estádios padrão FIFA, os professores do estado do Rio de Janeiro estão em greve há 34 dias e alguns estão acampados em frente a ALERJ.
Isso mesmo!!! No centro da cidade do Rio de Janeiro, em frente às escadarias da Assembléia Legislativa, professores acampam.
Será que esse gesto irá sensibilizar o Sr. Governador que dorme em lençóis de seda e se desloca em helicópteros para não ter contato algum com o cheiro infecto do povo?
Duvido.
Assim como duvido que os problemas básicos da população sejam sequer questionados por essa geração de políticos que está no poder e que parece estar mais preocupada em festejar e esconder os problemas sociais jogando pelos ralos da corrupção. 

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Sistema de saúde





Se tem algo que realmente anda mal das pernas no Rio de Janeiro é o sistema de saúde, aliás, me pergunto se algo além do helicóptero do governador está funcionando.
Quando essa onda de protestos começou, pensei que talvez, apenas talvez, algo pudesse realmente ser feito para mudar a situação do carioca que já está cansado de promessas e nenhuma solução.
Cheguei a ver políticos que sempre tiveram o apoio da população serem cobrados e vaiados, mas tudo não passou de mais uma ilusão.
Por não ter plano de saúde, todos os dias eu rezo para não ficar doente e nem precisar ir ao médico por motivo algum, mas de uns quinze dias para cá, apareceram erupções na minha pele que coçam muito e estão se alastrando.
Quando apareceram as primeiras erupções eu pensei se tratar de uma alergia a uma picada de inseto e não dei muita importância, mas coçava muito e resolvi tomar um antialérgico por conta própria.
No dia seguinte tinha a barriga, braços e pernas cheios de pintas que coçavam muito.
Como era um sábado eu só poderia procurar atendimento em uma UPA - Unidade de Pronto Atendimento. 
Não tem muito o que se falar sobre essas unidades, pois elas prestam ao papel a que foram criadas: atendimento emergencial para casos que não necessitam internação imediata. 
E assim foi. O atendimento não demorou mais que uma hora. Fui atendida, medicada e ainda trouxe remédio para continuar tomando em casa.
Entretanto, o médico me disse que, caso o problema persistisse eu deveria procurar um posto de saúde - momento tenso...
Na segunda feira, eu continuava com o corpo com as marcas e a coceira ainda estava pior e como tem uma clínica da família bem ao lado da minha casa, marchei bem cedo para lá.
O nome é bem bonito e sugestivo: Clínica da Família.
Chegando lá fui informada que não podia marcar consulta com médico algum e que deveria aguardar a visita do "agente de saúde" em minha residência. 
Ótimo, deixei meu nome e endereço e aguardei.
Como o agente não veio, meu marido usou o número de telefone que a prefeitura disponibiliza para que o cidadão reclame.
Terça feira, na parte da tarde a agente de saúde tentou me convencer de que passava mensalmente pela minha casa, mas não encontrava ninguém. Quando frisei que não estava trabalhando e que raramente saía de casa, senti que que quem ficou tensa foi ela.
Hoje, quarta feira, a agente veio até minha casa, tentando me convencer de que o problema era que o endereço estava errado na ficha - como se não fosse obrigação dela passar pela minha casa - e que se não tinha criança ou hipertenso, o agente deve passar uma vez a cada quatro meses na residência. Que fosse, acontece que ela nunca passou!
Para que servem as clínicas da família?
Para quase nada, pois cada equipe possui apenas um clínico geral, um enfermeiro e um técnico de enfermagem.
Quando se fala em clínica, as pessoas pensam que vão encontrar médicos de várias especialidades e que vão poder cuidar melhor da sua saúde, mas não é o que ocorre, pois os bairros são divididos por equipes com um agente que deveria visitar as residências de uma determinada região, um médico - clínico - um enfermeiro, um auxiliar de enfermagem e um dentista.
A agente de saúde me garantiu que até o final do mês eu consigo uma consulta com o médico responsável pela minha região e que ela irá trazer o marcação na minha casa!
Nossa! Se for uma micose, quando for marcada a tal consulta eu já estarei podre.
Se for uma alergia, provavelmente não precisarei mais da consulta, pois estarei morta. 
Se for contagioso, bem, posso ter infectado a agente que certamente terá atendimento ou que, na pior das hipóteses, vai infectar a região inteira, talvez assim haja algum tratamento...
Outra coisa que fiquei intrigada, foi quando a agente disse que, mesmo não sendo obrigada a visitar a nossa residência porque nela não tinha nenhuma criança nem hipertenso, a gente poderia procurá-la na clínica pela manhã lá pras oito e quinze, oito e meia, porque já tinha dado o tempo dela chegar, tomar um café, uma água...
Achei muito interessante descontar o tempo do enrolation no horário de serviço.
Vamos falar a verdade? Essa coisa de clínica da família foi a pior bosta que já enfiaram pelas nossas goelas a baixo!
Melhor seria ter mais postos de saúde, pois no posto tem mais do que um clínico para atender.
Sinceramente, não sei o que passa pela cabeça dos políticos no Rio de Janeiro, mas eu sei que já estou cansada de ver idéias esdrúxulas que servem apenas para alimentar o propinoduto e, o que me parece, é que essas clínicas da família não servem mais do que a isso.
Sei que a política muda, o partido que está no poder muda e acabamos com um montão de estruturas que não servem mais para nada - serviram como valas despejo de dinheiro para os bolsos de alguns - e acabam abandonadas, sem serventia nenhuma ou pior, fonte de gasto de manutenção.
Da prefeitura passada nós ficamos como herança a CIDADE DAS CRIANÇAS, a CIDADE DA MÚSICA e a CIDADE DO SAMBA - essa as escolas de samba fazem funcionar e o TERREIRÃO DO SAMBA, onde vez por outra tem um evento. 
A nossa cidade ainda sofre do EFEITO BRIZOLÃO. isto é, foram construídos tantos CIEPS que alguns, não tendo criança suficiente para funcionar - por ter sido construído em descampados ou muito próximo de outro CIEP - foram utilizados para servirem de quartel para bombeiros ou sede para algum órgão sem sede.
Quando votamos, assinamos um cheque em branco para que os políticos façam o que bem entenderem, até mesmo obras que, nitidamente, só servem para alimentar as valas da corrupção. 



domingo, 19 de maio de 2013

Intolerância







O que faz uma pessoa pensar que pode impor suas crenças e seu estilo de vida a outras pessoas?
O que eleva um ser humano a categoria de semideus para imaginar que dever impor sua religião aos demais?
O que pode levar uma pessoa a transpor o limite do tolerável, passando à falta de respeito por se achar detentora da verdade absoluta é a soberba.
Pessoas que vivem nesse limiar nem percebem que vão contra aos próprios ensinamentos de sua religião e transformam a diferença em preconceito.
Por que incomoda tanto os questionamentos de algumas pessoas?
Qual a diferença entre uma pessoa que quer impor a sua crença aos demais de Hitler?
A insistência de algumas pessoas em propagar a própria fé passa da intolerância para beirar a falta de respeito.
Quando uma pessoa afirma ter apenas uma verdade, ela se julga superior aos outros.
Ou não?
De que adianta o livre arbítrio se a única decisão aceitável é a fé cega?
Como propagar a irmandade ser profanar as diferenças que nos fazem únicos.
De que adianta seguir os passos de uma religião se o que falta é ideologia?
De que serve a pluralidade se enxergamos o outro com olhos de espelho?
Ser humano é aceitar que não existem certezas nem verdades absolutas e quem não consegue ver isso não chega a ocupar a categoria de ser, quanto mais de humano. 

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Ser ateu é direito meu







Eu juro que eu gostaria ser ser uma pessoa crédula e achar que existe alguém cuidando de nós, mas não há.
É confortável achar que existe um pai eterno tomando conta de nossos passos, como éramos crianças, mas não há.


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Hoje está cada vez mais difícil se dizer ateu sem ter alguém tentando te converter ou te discriminando.
Tenho medo que mais dia, menos dia, sejamos obrigados a nos converter em alguma religião.
Eu fazia um curso e a professora só começava a aula após rezar.
Primeiro eu procurei ficar quieta no meu canto, depois comecei a sair e ir ao banheiro enquanto ela rezava - primeiro ela passou a me esperar para rezar e depois começou a rezar depois que eu voltava. Por último eu passei a chegar no limite que tinha para atraso de aluno e a professora passou a esperar que eu chegasse para rezar, chegando ao ridículo de interromper a aula para rezar depois que eu já estivesse lá.
Para não entrar em polêmica, larguei o curso.
Eu não sou a única pessoa que sofre preconceito por não acreditar.
Falta mesmo respeito entre os religiosos em relação aos que não acreditam.
Quando meu filho era pequeno, era o alvo preferido dessas pessoas, pois meus vizinhos acreditavam que se conseguissem convertê-lo, acabariam trazendo seus pais para a igreja ou mesmo "salvando" pelo menos "uma alminha".
A maioria dos meus vizinhos ou são evangélicos ou estão se convertendo.
O preconceito mais ridículo que eu sofri foi numa reunião de condomínio onde o síndico era evangélico e simplesmente não me deixava falar, passando a vez para "algum irmão ou irmã". 
Quando a minha paciência chegou ao limite, passei fazer a saudação a Hitler cada vez que ele falava algo e isso levou aos não evangélicos a refletirem melhor sobre a situação e tivemos uma série de protestos em relação a situação. No final, pedi que desse uma cópia das propostas apresentadas para que eu levasse para o meu advogado analisar.
Ele pediu demissão do cargo.
Depois que ele se demitiu, foi descoberto um enorme rombo no orçamento do condomínio.
As pessoas aprovavam seus orçamentos na boa fé que o "bom pastor" não desviava a verba, mas quem foi que determinou que o caráter se mede pela religião que a pessoa frequenta?
Eu sempre ouço: "Fulano é um homem bom, é pastor da igreja tal".
E também é bem comum: "Ih! Fulano é macumbeiro".
Pouco tempo depois do "pastor e seus discípulos" terem mudado do condomínio - a maioria por ordem de despejo - apareceu o "Bonde de Jesus".
O Bonde de Jesus era um grupo que saía com bumbos e triângulos pelas ruas do condomínio no domingo a tarde gritando: "Jesus te ama e eu também!"
Lógico que eles faziam isso naquele horário em que todos já tinham acabado de almoçar e estavam tirando a "sesta".
Eles incomodavam a todos, pois batiam nas portas e tocavam as campainhas das casas para serem atendidos e terem seus panfletos com a divulgação da sua igreja devidamente distribuídos.
Alguns começaram a se incomodar com a situação.
Teve um que começou a abrir o portão de cuecas e outros com cervejas na mão, mas o bonde só desapareceu mesmo quando as vigílias e os enterros do diabo passaram a ser constantes.
Não, meu caro leitor, você não leu errado, eles passavam a noite inteira com um caixão fechado onde eles diziam estar o diabo e pela manhã enterravam em um terreno qualquer. Depois vinha alguém da igreja e desenterrava para aproveitar o caixão para a próxima semana, afinal, caixão está caro!
Embora todos achassem que aquilo era um absurdo, ninguém queria o diabo enterrado no terreno ao lado do seu.
O "Bonde de Jesus" desapareceu.
Eis que surge uma nova tendência nas igrejas: evangelizar!
Para mim é maneira mais chata de tentar convencer as pessoas que a religião é o melhor caminhos, pois a gente chega em um ponto de ônibus com medo que a pessoa que está lá venha puxar conversa e "mostrar como deus é generoso, apesar da sogra ter que cortar as duas pernas para não gangrenar".
Foi então que uma vizinha resolveu ouvir hinos evangélicos no último volume de seu som para disseminar a "palavra do senhor". 
Eu juro que queria conseguir ouvir meus próprios pensamentos, mas não conseguia!
Eu já estava preferindo ser surda, pois não conseguia nem ouvir o noticiário da TV! 
Foi quando chegou o feriado e um outro vizinho resolveu rebater os hinos com um som mais ensurdecedor ainda, ligado em uma rádio que só tocava axé. Foi quando eu cheguei a conclusão que antes da gente aborrecer o nosso vizinho com um som extremamente alto deve pensar que ele pode ter um som mais potente e um gosto musical duvidoso.
Nunca mais se ouviu hinos evangélicos vindo da casa da tal senhora.
Quando o condomínio passou a ser dirigido por pessoas que, embora tivessem religião, não faziam questão de impô-la aos demais, as coisas ficaram mais razoáveis.
Mas não pensem que os absurdos deixaram de existir, pois os condôminos não permitem que o carro do pão entre porque faz barulho, não permite o carro do gás porque faz barulho, não permitiram a festa junina porque ia fazer barulho, mas queriam permitir que o pastor colocasse um trio elétrico na pracinha para promover "uma tarde com Jesus".
É, a luta continua, pois ser ateu é direito meu.

Ser ou não Ateu



Essa semana fui convidada por uma pessoa que gosto muito para participar de uma mesa de debates sobre religião. De início pensei que isso seria algo muito desgastante, uma vez que tenho frequentado diariamente o Facebook e esse é um local onde as "fogueiras das vaidades" se afloram a cada 1/2 segundo e tudo vira motivo para ofensas e brigas intermináveis!
O motivo dessa pessoa ter me convidado para esse debate foi orque eu sou a única pessoa que ela conhece que se declara claramente ateia e, como falta um na mesa, se lembrou de mim.
Quando digo declaradamente é porque muitas pessoas se declaram católicas porque foram batizadas por seus pais ainda bebês e fizeram a primeira comunhão no colégio quando crianças e casaram em uma igreja para fazer uma bela cerimônia para guardar de recordação, mas nunca, digo nunca, frequentam uma missa sequer. Aliás, difícil é conhecer alguém que realmente faça isso.
Eu posso dizer que todas as pessoas que já conheci durante toda a minha vida, apenas seis pessoas realmente frequentavam a missa, comungava e seguiam todas as normas que eram necessárias para se dizer católico.
A maioria das pessoas dizem que acreditam em deus, mas não tem religião. Essa é para mim a pior e mais cômoda resposta, pois se acredita no deus católico e nem sequer lê os princípios que fundaram   ou que afirmam a existência desse deus, é porque não querem ser olhados como ETs descrentes.
Eu, filha de pai português, que tinha sido seminarista - coisa que só descobri depois que ele morreu - e mãe que foi semi-interna em colégio de freiras, fui batizada bem novinha e fiz minha primeira comunhão aos nove anos de idade.
Para a minha primeira comunhão foi programada uma festa, onde até os parentes que moravam em outro estado foram convidados, pois era um "acontecimento".
No dia anterior à cerimônia, uma tia de minha mãe, que por sinal era Madre Superiora de um tradicional colégio de freiras, resolveu me dar as últimas instruções sobre o que ia acontecer e me deu instruções claras para não morder a hóstia, pois era o corpo de Cristo e minha boca se encheria de sangue.
Adivinhem o que eu fiz?
Sabem o que aconteceu? Nada.
A coisa começou a ficar estranha ai, pois eu comecei a questionar absolutamente tudo.
Depois da primeira comunhão ainda ia para as missas aos domingos, mas comecei a ouvir as história da bíblia como fantasias tais quais contos de fadas ou mitologia grega ou mais uma grande mentira - tal qual a da hóstia.
Depois passeia a questionar a santidade dos padres, pois alguns escândalos envolvendo padres e, até mesmo na paróquia a que pertencíamos e a minha credibilidade foi se esvaindo e a minha fé se foi para sempre.
No começo, a minha falta de fé fez com que eu me sentisse muito desamparada, pois quando desejava muito algo rezava, pedia, esperava por bênçãos. Quando o que esperava, não era alcançado, me conformava com o "livre arbítrio" - de repente não me esforcei tanto assim e deus não ia desmerecer alguém que se esforçou mais só porque eu implorei, eu tive o "livre arbítrio" para escolher me esforçar mais e não fiz.
Depois eu pensei: Se eu tenho que me esforçar, lutar sozinha, correr atrás, eu quero um deus para que?
Abandonei as orações e, com o tempo fui excluindo frases que a gente fala quase naturalmente porque ouve desde criança, do tipo: graças a deus!
Quando os questionamentos começam não param mais. A história de Adão e Eva, por exemplo.
O homem foi feito do barro e a mulher de uma costela desse ser?
Com tanto barro não dava para fazer a mulher dele também?
Brincadeira, gente. Mas é que é um absurdo tão grande que não dá nem para imaginar a possibilidade de uma coisa dessas ser possível.
A Arca de Noé. Qual era o tamanho dessa coisa?
O Titanic afundou e matou um monte de gente e a arca de Noé salvou até as baratas?
Quando me casei, meu marido me fazia ir à missa com ele todos os domingos e aquilo me fazia muito mal porque igreja não é um lugar de debates e cada vez que o padre fazia o seu sermão eu sentia vontade de levantar a mão e fazer algumas perguntas embaraçosas, mas não podia. Mas também não ficava como uma vaquinha de presépio repetindo amém e graças a deus, ficava calada o tempo todo. Todo mundo reparava em mim.
Passei a sair durantes as missas para fumar do lado de fora, fumava muito e o tempo todo, depois parei de ir.
Quero realmente ir a esse debate porque quero fazer aquele monte de perguntas que não podia fazer na igreja. E não aceito a resposta do átomo.
É mais difícil ser ateu do que hipócrita, daqueles que falam que não tem religião, mas acreditam em deus, mas eu sou assim.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Estado Laico?





Estou realmente preocupada com o rumo do nosso país.
Antes seria inconcebível pensar no fim do Estado Laico, hoje é proposta da câmara!
Não entendo como permitem uma bancada evangélica na câmara!
Será que o Brasil é realmente o maior país católico do mundo?
O fato é que eles estão em todos os lugares.
Não dá para caminhar pelas ruas sem encontrar alguém fazendo pregação.
Andar de trem no Rio de Janeiro sem topar com algum fiel pedindo donativos para a sua igreja é impossível.
Eu tenho visto verdadeiros absurdos!
Uma amiga me falava de uma professora de português que colocava versículos bíblicos no quadro ao invés de dar aulas.
O facebook está cheio deles e suas pregações. 
Outro dia resolvi rebater uma delas e começou uma verdadeira perseguição!
Agora meu celular está cheio de passagens bíblicas mandadas por "um amigo" que não se conforma por eu não acreditar em deus!
Isso é desrespeito, falta do que fazer e mais: fere a minha individualidade e meu direito de não crer.
Não é que eu nunca tenha frequentado igreja ou que eu tenha me decepcionado com deus, eu só fui racionando sobre as coisas ditas na bíblia e deixei de acreditar.
O mais interessante é que essas pessoas ditas religiosas, quando não tem mais argumento para te converter, te rogam as piores pragas desse mundo. Te desejam o pior que se pode desejar a uma pessoa. Não é incrível?
Te mandar direto para o tal do inferno é logo a primeira opção e quando você fala que também não acredita no inferno, começam a desejar que você tenha as piores doenças possíveis para acreditar na existência de deus.
Não é antagônico?
 Eu realmente acho que em breve todos serão obrigados por lei a se converterem, como acontece no Islã, pois a coisa está ganhando proporção astronômica!
Vai haver uma caça às bruxas interminável em nosso país e ainda bem que não temos pena de morte, mas isso também pode mudar...


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sábado, 11 de maio de 2013

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Mentalidade de um povo





Na última entrevista dada pelo Emílio Santiago ao programa Encontro com Fátima Bernardes, ele contava que começou a trabalhar muito cedo, que aos 14 anos já estava empregado, pois vinha de uma família pobre e precisava trabalhar.
Eu vi ao longo da minha vida várias crianças que tiveram que trabalhar muito cedo e depois se tornaram adultos bem sucedidos e crianças que nunca trabalharam e não se tornaram tão bem sucedidos como os que tiveram que trabalhar na infância.
Hoje é impossível se contratar um menor de 18 anos a não ser que seja no programa Jovem Aprendiz, o que reduz e muito as vagas para o menor que deseja ou tem que trabalhar.
Nesses últimos tempos frequentei alguns cursos e percebi que a mentalidade dos mais jovens também mudou. Os mais novos até rejeitam a ideia de trabalhar e os menos favorecidos só pensam em arranjar uma bolsa oferecida pelo governo.
Eu acredito que essa seja uma situação muito triste, pois o jovem não pensa mais em conseguir algo com seu próprio suor e ainda sobrecarrega pais e mães que possuem 2, 3 filhos com idades em que poderiam estar produzindo e não podem, pois é proibido por lei.
Trabalhar atrapalha os estudos, pois a pessoa fica cansada e depois tem que ir para a escola.
Quem trabalha não tem tempo para estudar.
Todas essas afirmações podem estar certas por apena um ângulo, pois quem me garante que o adolescente que fica em casa vai estudar.
O leitor pode afirmar que eu tirei estas afirmações do nada, pois nunca trabalhei na adolescência, mas não.
O meu filho não trabalhava, não lavava um copo dentro de casa e foi reprovado 3 vezes na mesma série. Fomos cortando tudo dele até o ponto que teve que trabalhar para comprar suas coisas. Hoje ele estuda e trabalha e suas notas aumentaram consideravelmente.
De primeiro, suas roupas ficavam jogadas pela casa, por debaixo da cama ou em algum canto sem o menor cuidado. Hoje todas as suas coisas ficam organizadas, guardadas e suas roupas vão para a caixa de maneira que não se estragam mais, pois ele sabe quanto custou cada uma delas.
 Todos os dias vemos nos telejornais que há mais menores comendo crimes e acredito que o aumento desse índice esteja relacionado com o fato de que o menor não possa mais trabalhar com carteira assinada.
Não é uma punição, mas quando um jovem não queria estudar os pais o colocavam para trabalhar e, cedo ou tarde acabavam dando valor ao tempo em que não quiseram estudar. Pena que hoje isso só ocorre quando já é muito tarde para se recuperar algum tempo...
Quando me mudei para cá havia um pedreiro que trazia seu filho de 13 anos para ajudá-lo nas obras e achava aquilo um absurdo, pois criança precisa estudar. 
O menino não repetiu uma série sequer e hoje é dono de um sacolão.
Há exploração infantil? 
Sim, mas isso continua acontecendo e pior, pois o menor não pode ser empregado legalmente e acaba sendo recrutado nas comunidades carentes pelo tráfico.
Temos que rever muitas leis em nosso país, mas tenho certeza que as leis que tratam os menores devem ter prioridade, pois afinal serão esses menores que estarão comandando o nosso país no futuro.


quarta-feira, 20 de março de 2013

Preconceito nos olhos de quem vê




Faz tempo que não não sinto vontade de me manisfestar a cerca de assunto nenhum, mas essa semana eu vi tanta polêmica sobre uma imagem publicada nas redes sociais que resolvi expor a minha opinião.
Essa imagem de um trote realizado em uma universidade causou tanta polêmica que valeu até reportagem nos jornais Globais.
A imagem mostra uma caloura acorrentada, pintada de tinta preta e com uma placa dizendo que era a Chica da Silva.
Muitos se manifestaram dizendo ser preconceito racial, blá, blá, blá, blá...
É sabido e provado que todo brasileiro, independente da cor da sua pele, tem em seu DNA o negro, o indígena e o europeu. Então TODOS temos um pezinho em cada uma das raças que formaram a principal etnia do país.
Chica da Silva existiu e foi escrava. Será que nunca foi acorrentada?
Para mim, é só o que a imagem representou.
Vejo muito mais preconceito e racismo em alguns programas humorísticos que mostram personagens em seu cotidiano, como se fosse uma característica geral de uma estrutura social.
Vejo novelas em que as classes menos favorecidas são mostradas fazendo churrasco na laje e tomando cachaça a rodo!
Toda piada tem um fundo discriminatório. Então vamos parar de fazer piadas!
Muitos riem quando alguém leva um tombo, mas uma queda não tem graça nenhuma para quem cai.
Eu vi muitas afirmações na Internet do tipo: "Eu não sou descendente de negro escravizado, sou descendente de pessoas que foram escravizadas."
Está certo que os trotes de faculdades já foram muito além de uma mera diversão e deveria ser moderado. Mas ao invés de proibir, deveria-se criar limites para eles, pois de certa forma são um rito de passagem. E sabe o que acontece com seres humanos que não vencem esses ritos?
Tornam-se pessoas que não tem garra ou força de vontade para vencer nenhum obstáculos e acabam se tornando pessoas tristes, mal sucedidas.
Pior. Se classificarmos TUDO como bullying, assédio, racismo, preconceito, as pessoas farão mais e mais coisas escondidas. Teremos uma sociedade pervertida, cometendo crimes e mais crimes as escondidas.
Eu, particularmente, olhei para a imagem e senti o constrangimento da pessoa - que não dá para saber se é homem ou mulher - e pensei: "ridículo".
Não achei graça, não me senti ofendida, não achei que foi uma forma de racismo. Achei sim que foi uma forma de expor a pessoa a uma posição vexatória - como na maioria dos trotes.
Mas se pintasse a pessoa de verde e colocasse uma placa: ET de Varginha; tinha causado tanta polêmica?
Mas não teria sido tão vexatório quanto?
Então vamos parar de pensar que tudo é racismo.
Vamos parar de impor a uma sociedade uma visão de inferioridade racial. 
Quem se sentiu ofendido e humilhado é mais racista que o menino que acorrentou o colega.
Quem faz esse alarde todo é porque se sente inferior e transforma esse sentimento em ira contra qualquer um que venha algo que saia das suas regras de conduta para com os inferiores - não estou dizendo que há raça inferior, apenas que existem pessoas que se sentem tão subjugados pela sociedade que se classificam assim.
Lembro que até o Tiririca foi acusado de racismo, certa vez. 
Podem me criticar, mas quando me perguntam minha etnia, gostaria de ter a opção de marcar "brasilidade", pois cada um de nós não representa apenas uma, mas todas as raças que estiveram na formação desse imenso país.



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