segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Caixinha de leite





Mostrava umas fotos antigas em um grupo de amigos quando uma das meninas deu um grito:
- Qué, qué isso? Essa pessoa não existe mais!
- Tem certeza de que o seu pai é seu pai e sua mãe é sua mãe, né?
Eu não entendi o porquê da pergunta, mas respondi que sim.
Ela começou a “devorar” cada uma das fotos e a olhar para mim com um olhar cada vez mais assustado, quando resolveu continuar a bateria de perguntas:
- Tem certeza de que essas fotos são suas? Você não teve nenhum tipo de amnésia e disseram que as fotos são suas?
Eu não entendia muito bem o motivo de tantas perguntas e me senti meio que uma cobaia sendo analisada, mas respondi pacientemente todas as perguntas.
A conversa foi desviando para outros assuntos, afinal todas temos família, filhos e tal...
Adriana continuava segundo as minhas fotos como se segurasse um tesouro, apesar do assunto ter se desviado há muito tempo.
Lá pelas tantas e já cansada de tanto convívio social, já que sou quase uma eremita, resolvi pedir minhas fotos de volta, pois queria ir embora.
Quando eu achava que o assunto já estava totalmente esquecido, Adriana me mostra uma foto e faz o seguinte comentário:
- Ainda bem que você tem certeza que não é nenhuma “criança desaparecida”, pois se tivessem colocado essa foto numa caixinha de leite tinham perdido a caixinha. Ainda bem que não tem ninguém fazendo nenhuma projeção de como essa criança estaria anos depois, pois se alguém se baseia nela nunca encontraria ninguém.
Fui para minha casa, meio sem entender bem o que tinha acontecido até que resolvi eu mesma olhar as fotos e chegar à conclusão de que estava certa:
Eu mudei tanto ao longo dos anos que qualquer pessoa que tenha me conhecido nessa época jamais irá me encontrar.
Será que acontece o mesmo com as crianças da caixinha de leite? 

2 comentários:

Aмbзr Ѽ disse...

é... para quem nos vê quando pequeninos, é dificil nos associar a uma face adulta, mais madura, com cabelos cortados, tingidos, ou diferentes... com certeza esse fato dificulta demais o reconhecimento de crianças desaparecidas.


http://terza-rima.blogspot.com/

Katia Cristina disse...

Pois é, Ambar

Eu, com certeza seria uma criança que, baseando-se em fotos, não seria encontrada.
Nessa foto eu devo estar pesando o mesmo que peso hoje e, depois das maravilhas das escovas disso e daquilo, meu cabelo nunca mais cacheou!!