sexta-feira, 25 de março de 2011

A maldição





No centro da Praça Pasteur, na cidade de Petrópolis tinha uma linda casa para alugar.
Com sua varanda em arco com uma linda trepadeira de flores lilases e sua cadeira de balanço era convidativa a um descanso de fim de tarde.
A casa era mesmo uma belezinha!
Os muros baixos sugeriam que o bairro não era violento e, apesar de não ter sido pintada recentemente, não tinha pichações!
Era do tamanho ideal, nem muito grande, nem muito pequena.
Maurício, Alessandra e seus dois filhos mudaram-se para lá e quatro meses depois estavam negociando com a imobiliária para mudarem-se para outro local.
A casinha continuava lá e mais um casal com seus filhos mudou-se e, mais uma vez saiu o mais rápido que pode.
Durante um ano mais de cinco famílias havia passado pela casa, ninguém queria ficar.
Nelson, corretor do imóvel não sabia mais o que fazer para manter os inquilinos.
Todos os dias ia ao imóvel e olhava para ver se o encanamento estava em ordem, se a vizinhança fazia muito barulho, nada.
Chegou a dormir na casa, achando ser mal assombrada e nada.
Foi quando seu melhor amigo, Luciano, resolveu se casar e convidá-lo para padrinho de casamento.
Maurício, que não andava muito bem de finanças, resolveu dar ao amigo um ano de aluguel de graça na bela casinha da Praça Pasteur.
Luciano, que ia morar com a sogra, achou a idéia espetacular e levou a futura esposa mais do que depressa para conhecer o que viria a ser o seu novo lar.
Certo de que um casal recém casado quebraria a maldição, seja ela qual fosse, Maurício providenciou até a mudança do casal, para que eles não tivessem preocupação alguma.
Luciano e Vera casaram-se, foram para a lua-de-mel e se instalaram em seu “novo lar”.
Luciano trabalhava o dia inteiro, mas Vera trabalhava em um colégio apenas em meio período e, ao chegar em casa se sentia vigiada.
Todos os dia, quando Luciano chegava em casa era sempre a mesma reclamação:
- Eu sinto como se tivesse alguém me espiando através das cortinas – reclamava Vera.
_- Deixa de besteira! Isso não existe! – Respondia Luciano.
No primeiro final de semana na casa, Vera foi ao quintal regar as plantas e viu como se alguém a observasse da casa ao lado e correu para dentro assustada.
- Luciano! Tem alguém me olhando da casa ao lado!
- Vera, a casa ao lado está sempre fechada, acho que nem mora ninguém lá.
- Pois é o que estou falando, Lu.
Com o tempo, Luciano também passou a se sentir observado e foi conversar com o amigo Maurício.
- Maurício, você teve alguma reclamação de algum morador anterior daquela casa onde estou morando? – Perguntou Luciano.
Maurício engasgou com a cerveja que tomava e respondeu com outras perguntas:
- Mas qual o problema da casa? É o encanamento? Quer que eu dê uma olhada?
Luciano com medo que o amigo o julgasse louco desconversou:
- Não nenhum, só estou perguntando.
Luciano não queria mudar para a casa da sogra de maneira alguma e então resolveu evitar o quintal e comprar cortinas mais grossas.
Como o casal não aparecia mais, uma pequena pedra foi atirada na janela.
Era o fim! Vera estava decidida a voltar para a casa da mãe quando Luciano abriu a janela de sopetão e viu uma figura sumir na escuridão do quintal vizinho.
Durante toda a semana foi assim: Pequenas pedras eram atiradas nos vidros das janelas trancadas da casa.
No domingo pela manhã, Luciano resolveu abrir a janela de seu quarto, apesar dos protestos de Vera, antes de ir tomar banho.
Abriu a janela e deixou o sol entrar para espantar o cheiro de mofo.
Tomou seu banho com tranqüilidade e, como esqueceu a toalha, foi até o quarto totalmente nu e apareceu na janela para fechar a cortina.
Foi quando ouviu um grito de horror e uma série de palavras impublicáveis.
Luciano deu um grito de felicidade:
- Yes! Yes! Te peguei!
Era Edeltrudes, uma senhora que vivia sozinha na casa ao lado e gostava de “espiar” os moradores sem que eles soubessem.
Desse dia em diante nunca mais Vera se sentiu observada ou intimidada e, caso isso acontecesse, Luciano estava disposto a fazer uma nova aparição.

4 comentários:

Ligéia Alone disse...

huahua...

Muito bom!

bjos!

chica disse...

Noooooossa!Essa mereceu!!1Mas talvez tenha gostado,srsr...Tá cheio dessas marocas...beijos,chica

Professora Carla Fernanda disse...

Ótima Katita!!
DAva até para fazer filme...kkkk.
Vc escreve bem amiga.
olha agora tenho uma lista de blogs e fiva mais fácil para comentar.
Beijos,
Carla Fernanda

Emoções disse...

Belo texto. Voltarei.
Fica na paz.