domingo, 6 de março de 2011

Encontros e desncontros







As famílias de Paula e Marcos moravam na mesma vila no Cosme Velho.
Os brincavam juntos todos os dias após o colégio, já que Marcos era dois anos mais velho que Paula e estava duas séries acima e não se viam na escola.
Depois era a maior bandeira meninos de 10 anos brincarem com meninas de 8. Ele poderia até ser chamado de boiolinha.
Marcos não entendia bem por que, mas gostava de brincar com a sua amiga da vila.
No final do ano, a família de Paula mudou-se para Niterói, deixando Marcos triste e sozinho.
Paula deixara num papelzinho o seu endereço, mas Marcos não sabia muito bem o que fazer com ele.
Três anos se passaram e Marcos resolveu escrever para Paula, que lhe mandou o seu telefone.
Passaram a se falar por telefone e, quando Marcos tinha idade para poder andar sozinho, pegou um ônibus e foi até a casa da Paula em Niterói.
Os encontros passaram a ser mais freqüentes e eles acabaram namorando.
Os anos se passavam e os dois não se largavam.
Já adultos, os dois se encontravam 4 vezes por semana, sendo que aos sábados usavam o carro de Paula e Marcos ia de ônibus para o Rio.
Como queria ficar até o último minuto com Paula, Marcos passou a pegar o último ônibus que partia para o Rio.
Sempre chegava cedo e encontrava as mesmas pessoas, mas uma figura habitual chamava a atenção de Marcos: Um travesti vestido de Merilyn Moroe.
Marcos não queria olhar, mas a estranha figura sempre lhe chamava a atenção.
Era sempre a mesma coisa: Marcos chegava, 10, 15 minutos depois a estranha figura se colocava atrás dele.
Sábado, após sábado, Marcos ficava imaginando de se Merilyn estava chegando ou indo. Se acabara de fazer algum show ou se estava indo para um.
Um dia olhou tão intensamente para “ela” que chegou a chamar a atenção da “moça” que lhe perguntou com uma voz máscula e irritada:
- Qual é? Tá me encarando por quê? Quer comprar?
Marcos balançou a cabeça negativamente e depois a abaixou envergonhado.
Um determinado grupo que ficava sentado em frente ao ponto de ônibus acompanhou todo o diálogo e caiu na gargalhada, o que deixou Marcos ainda mais envergonhado.
No sábado seguinte Marcos entrou na fila já de cabeça baixa e permaneceu assim até entrar no ônibus, foi quando percebeu que Merilyn se atrasara e fora a última a entrar no ônibus.
Quando Merilyn estava no último degrau, um dos rapazes que ficava em frente ao ponto de ônibus resolveu passar a mão nela, já com o ônibus quase em movimento.
Merilyn esbravejou, urrou, mas o ônibus já tinha entrado em movimento.
Foi assim durante todos os sábado daquele mês: Merilyn chegava atrasada, subia todos os degraus e... Zás! Passavam a mão em sua abundância!
O motorista parecia conhecer todos que pegavam o ônibus naquele dia e hora, pois certas vezes atrasava a sua saída “esperando” esse ou aquele passageiro.
No mês que se seguiu, Merilyn não apareceu e Marcos julgou que a “estrela” tenha se cansado da “brincadeira” e tenha arrumado outro meio de transporte, mas, no outro mês lá estava ela, só que parecia estar mais “cheinha” nos seios.
Lá estavam os rapazes para, novamente fazer a brincadeira de mau gosto. Só que dessa vez, o motorista demorou a arrancar, Merilyn desceu os degraus, deu dois socos no engraçadinho e voltou para dentro do ônibus que a aguardava.
Todos os passageiros aplaudiram Merilyn que, depois daquele dia nunca mais foi vista por nenhum dos passageiros do meia noite para o Rio.


Imagem: Google

4 comentários:

chica disse...

Lindo conto, cheio de enedos...beijos,ótimo dia,chica

Fulvio Ribeiro disse...

Katia...

Muito bom, gosto de contos.
Que você tenha um ótimo feriado.
Muita paz e Saúde pra você.
Grande Abraço.

Ligéia Alone disse...

Sou fã da Marilyn Monroe. Li sua biografia; mulher emocionalmente frágil. Essa do conto é bem mais forte que a original. Muito bom!

beijos!

Zélia Guardiano disse...

Ah, que bela inspiração, essa que lhe ofereceu Norma Jean!
Belíssimo conto!
Adorei, querida Katia.
Beijinhos, amiga.