sexta-feira, 25 de março de 2011

É vero




A família de Giovanna veio para o Brasil em um porão de navio logo depois da primeira guerra.
Eram tempos difíceis e na Europa e vir para o Brasil parecia ser uma opção bem promissora, entretanto, assim que chegaram foram levados a uma fazenda onde trabalhavam praticamente como escravos.
Giovanna teve, desde muito cedo, aprender a se defender.
Logo aos 9 anos ajudava a mãe com as panelas e a comida dos trabalhadores da fazenda.
Giovanna cresceu assim: Sem infância, sem brincadeiras, sem felicidade.
Uma coisa não se podia negar: Giovanna era de longe a moça mais bonita da região.
Quando era dia de pagamento, toda família ia para o armazém da cidade para comemorar e pagar as contas da caderneta. Esse era o único divertimento da moça.
Foi no armazém que a moça conheceu Enzo, um belo italianinho com os olhos mais azuis que o azul do céu e se apaixonou perdidamente.
Ao contrário de Giovanna, Enzo sabia ler e escrever. Aliás o rapaz prontamente se propôs a ensinar para a bela moça.
Enzo falava baixinho, pois era de Veneza e a moça era Siciliana de sangue quente.
Os dois acabaram se casando e morando em um pequeno cortiço na cidadezinha.
Por mais que os dois convivessem juntos, Enzo não conseguia fazer com que a mulher perdesse o hábito de falar alto e de ter reações tempestivas.
Para ajudar o marido, Giovanna sentava-se na máquina de costura e fazia roupas e pequenos consertos em costura reta.
Por causa de seu temperamento, a maioria das mulheres do cortiço não gostava dela e, todos os dias, o falatório acabava em brigas a serem apartadas pelos maridos.
Todos os anos Giovanna tinha um filho e a cada filho que nascia, a maledicência da vizinhança aumentava dizendo que Giovanna costurava bem para fora.
A mesma vizinhança que falava mal, vinha durante o resguardo da moça, fazer visita, trazendo presentinhos e para olhar bem de perto o novo rebento.
Giovanna cansada desse falatório e resolveu por fim a essa fofoca que depunha contra sua honra.
Após o nascimento do seu quinto filho, marcou um chá com todas as mulheres da vizinhança.
Passou o dia preparando a mesa de quitutes que serviria.
Desconfiadas, mas não querendo demonstrar fraqueza uma a uma foi chegando e se sentando na apertada sala.
Comeram e se maravilharam com todas as coisas deliciosas que Giovanna sabia fazer na cozinha.
O tempo foi passando e nada de Giovanna trazer seu novo rebento para apresentar para “as amigas”.
Foi quando a moça anunciou:
- Chegou a hora.
Todas estavam ansiosas para olhar para a criança para tentar adivinhar com qual homem ela parecia para poderem falar mal.
Giovanna empurrou a cortina que servia de porta, entrou para dentro do pequeno cômodo e voltou com uma manta entre os braços.
Todas correram na direção de Giovanna que puxou uma corrente escondia na manta e deu uma surra em pelo menos cinco mulheres que não conseguiram correr a tempo.
Desse dia em diante ninguém mais ousou falar mal da italianinha louca que morava no 214.




Imagem: http://quotidianoale.blogspot.com/2010/05/as-mais-queridas-e-antigas-propagandas.html

3 comentários:

Professora Carla Fernanda disse...

kkkkkkkkkk.... foi a solução que ela encontrou...kkkk...tinha sangue quente mesmo a italiana. Gostei!
Beijos,
Carla Fernanda

Katia Cristina disse...

Carla
Todos os "causos" contados no selo pessoas, realmente aconteceram. Eu só dei uma pitadinha aki e outra ali e mudei o nome dos personagens, claro!

Ligéia Alone disse...

kkkkk... Ma che siciliana questa Giovanna, hã! rs

Baci!