sábado, 12 de março de 2011

Eugênio era um gênio





Eugênio era um rapaz que não fazia tanto sucesso assim com as mulheres: Era branquinho, gordinho e nenhum pouco bonito.
Talvez por isso, quando alguma desavisada caía na sua lábia, ele fazia questão de humilhá-la.
Falava para todos que era garanhão, mas a verdade é que estava sempre sozinho em seu quarto desenhando mulheres crucificadas ou sodomizadas.
Não se sabe muito bem por que Eugênio tinha essa necessidade de minimizar o sexo feminino. Talvez não tenha tido uma boa relação com a mãe e as duas irmãs mais velhas.
Talvez, por elas serem tão mais velhas, o tivessem tratado como algo tão infantil e insignificante, que quando tenha atingindo a adolescência, tivesse achado que era mais importante e melhor que elas, já elas estavam velhas.
Eugênio não conseguia manter um relacionamento por muito tempo e culpava as mulheres por isso.
No colégio era sempre ridicularizado pelos amigos e não conseguia ter uma amizade consistente, daquelas que duravam anos. Apenas as garotas queriam ser suas amigas, o que fazia com que seu ódio aumentasse ainda mais pelo sexo feminino.
Eugênio era realmente uma pessoa que, para quem tinha um relacionamento superficial com ele, parecia gentil demais para ser verdade, mas era só conhecê-lo melhor que se percebia que gentileza era só um meio para que ele conseguisse o que queria das pessoas.
Quando Ana surgiu na vida de Eugênio, ele era só sorrisos, mas bastava ser contrariado que fazia da vida de todos em sua volta um inferno!
Algum tempo depois deixava de fazer algo que Ana quisesse muito, só de maldade.
Após o casamento, o homem gentil quase que desapareceu por completo, aparecendo apenas quando ele precisava de Ana.
Na maioria do tempo Eugênio mostrava a Ana o quanto ela era desprezível e pequena.
Eram tantos elogios que Ana acabou acreditando que realmente não prestava realmente para nada e, aos poucos, foi se afastando de tudo, parou de se arrumar, perdeu o emprego e passava horas em frente da TV bebendo e fumando.
Ana se arrastava pela casa, enquanto Eugênio dizia o quanto seria bom “se livrar” dela e o quanto ela feia, alcoólatra e cheirava a fumo.
Certo dia, enquanto assistiam a um filme, Ana foi ao banheiro e, ao lavar as mãos, deixou sua aliança cair na pia.
Eugênio não acreditou na esposa.
Disse que ela tinha jogado fora de propósito.
Ana tentava se desculpar e explicar, mas Eugênio estava irredutível!
Foi quando Ana tentou segurar no braço de Eugênio e esse a empurrou escada a baixo.
Enquanto Ana agonizava ao pé da escada, Eugênio deu um sorriso, desceu calmamente cada degrau da escada olhando fixamente para ela, saltou seu corpo imóvel e saiu pela porta, voltando horas depois.
Quando a ambulância dos bombeiros chegou Eugênio chorava copiosamente no ombro de Márcia, melhor amiga de Ana, que tinha chegado minutos antes dele e tinha chamado por socorro.
Márcia estava mesmo impressionada com o amor que  Eugênio sentia por Ana.






Imagem: Google

6 comentários:

Ligéia Alone disse...

Ótimo!

Professora Carla Fernanda disse...

Quantos Eugênios existem por aí massacrando suas "vítimas".
Muito bom Kátia!
Bom domingão!
Carla Fernanda

chica disse...

Puxa, que diabo esse Eugênio,heim??? Só falatva o rabinho! Que coisa! beijos,lindo contoi ,tão bem contado que dá vontade de xingar,srrs beijos,chica

A. Reiffer disse...

Uma bonita história, parabéns! Abraços!

Katia Cristina disse...

Existem centenas de Eugênio e cada dia aparece mais um!

Roderick Verden disse...

Eugênio era o gênio do mal.rs