segunda-feira, 26 de julho de 2010

A natureza é irritante - Parte 1 : Passeio ecológico





Aproveitando a enxurrada de programas de TV de cunho ecológico e a quantidade de “pacotes ecológicos” que estão tentando nos vender, resolvi mostrar que a natureza também pode ser irritante.
Falando dos “pacotes de turismo ecológico” vamos imaginar um simples: Uma bela caminhada pela Mata Atlântica: Você compra o pacote e, no dia marcado, faça chuva ou sol, tem que ir.
Você paga beeeeeeeeeeem caro para andar no meio da mata fechada, por uma trilha que não tem certeza da onde vai dar, tropeçando em galhos caídos, desviando de cobras e aranhas.
Isso sem contar que você deve usar roupas confortáveis, porém não deve esquecer o kit básico: água, barrinhas de cereais, chocolate, repelente e telefone celular.
Sim! Telefone celular, pois se tudo mais der errado você pode ligar para a família para se despedir ou pedir por socorro.
Certifique-se um dia antes de colocar a bateria para carregar!
Lembre-se de não usar um tênis comprado no dia anterior, pois isso pode ser um verdadeiro desastre. Essas caminhadas nunca demoram menos de uma hora!
O passeio começa cheio de expectativas, mas o tempo vai passando e depois de você olhas para uma centena de árvores que parecem todas iguais para você, começa a achar que fez uma grande besteira em insistir com  seus amigos para fazerem o passeio.
Mas você não vai confessar nem morto que está achando aquilo tudo uma chatice e vai ficar fazendo cara de satisfeito e maravilhado quando o guia te mostra um calanguinho igualzinho a centenas que passeiam pelo muro da sua casa.
Você anda, anda, anda e finalmente chega ao destino: normalmente uma cachoeira super gelada (que você entra só de raiva, nem que tenha que bater os dentes depois), uma vista das alturas do lugar como um todo (que você tem que achar bonito, afinal, essa trilha teve o agravante de ser íngreme), mas, no geral nem vale tanta à pena assim.
É nessa hora que a “turma da farofada” resolve abrir as bolsas e tirar aquele frango assado de padaria para fora e encher o bucho do pessoal. Se você achou que o passeio nem foi grande coisa assim e resolve cair de boca na comida, melhor se lembrar que vai ter que voltar pelo mesmo caminho que veio.
Na volta você já está suficientemente irritado, chateado, agoniado e esquece-se de passar o repelente e os mosquitos começam a te picar em todos os locais possíveis.
Eu juro que, certa vez, matei uma carreirinha de pernilongos na minha perna!
Era tanto sangue que escorria pela perna...
Você volta e fica torcendo para seus amigos estarem bem cansados para reclamarem, pois amanhã você pode dar um jeito de sumir para não ouvir as reclamações.
Quando as milhares de pessoas que você convidou para fazer o passeio com você vierem te perguntar como foi, você fala que foi maravilhoso, que foi uma pena ela não poder ter ido e fala que vai colocar as fotos no seu Orkut para ela ver.
Não se esqueça de passar o dia seguinte com roupas que possam cobrir seus braços e pernas porque senão ninguém vai achar que o passeio foi tão bom que valeria à pena ficar todo lanhado. 

3 comentários:

Roderick Verden disse...

Nunca fiz isso tb(rs). Mas gosto de roça, e se fosse possível, eu moraria no interior. Odeio pernilongo, o animal q mais me incomodou e ainda incomoda na minha vida, mas gosto de kalango(minha mãe tinha pavor).rs

Katia Cristina disse...

Pois não mude para o interior. Pessoas urbanas tem que morar na cidade!

Roderick Verden disse...

Nasci na cidade, mas não me considero urbano.