segunda-feira, 30 de maio de 2011

O Rio de Janeiro é uma fartura só




Estava dando uma lida nos blogs dos amigos quando vi o desabafo de uma amiga que dá aulas em uma escola compartilhada e simplesmente mudaram o local da escola sem consultar ninguém.
Para quem não sabe, no Rio de Janeiro, ao invés do governo do estado construir escolas, usa prédios da prefeitura no horário noturno, "compartilhando" o mesmo espaço físico.
O que acontece na verdade é que, como o espaço físico pertence à prefeitura, as diretoras não gostam nadinha de ter que dividí-lo e causam todo tipo de transtorno para os coabitantes e os alunos não podem utilizar todas as salas da unidade, muitas salas ficam trancadas e, algumas vezes, alunos estudam em refeitórios.
Até entendo que "compartilhar" uma unidade escolar não é a melhor coisa do mundo, mas sabotar o trabalho de outro professor que está numa condição pior que a sua, pois é um "sem escola", eu acho uma puta de uma sacanagem.
O que eu não entendo é por que os professores que vivem nessa situação há anos ainda não denunciaram essa situação.
Quer dizer, além de "fartar" professor, ainda "farta" espaço físico ou seja, escolas propriamente ditas.
Estamos gastando bilhões de reais para fazer a copa e as olimpíadas e estamos esquecendo de investir no básico: educação.
O governo do estado estará contratando nos próximos dias 4.500 professores para suprir a deficiência em toda rede, mas gostaria de atentar para o fato de que esses professores serão contratados sem vínculo empregatício, portanto, quando acabar o contrato, as escolas continuarão sem professores!
Vamos reformar o Maracanã, mas vamos empurrar o problema do ensino com a barriga.
Eu tinha uma professora de história da arte que costumava dizer que para destruir um povo, primeiro se destruía a sua identidade cultural - sua língua, suas crenças.
Sabemos muito bem que a maioria dos nossos jovens são analfabetos funcionais, pois sabem ler, mas não saber interpretar, nem discorrer sobre o que foi lido.
Quando eu digo que as aulas de redação, que desapareceram do currículo das escolas públicas fazem falta, não é à toa. 
O professor levava um tema, fazia um debate e depois pedia para que o aluno fizesse um texto. 
Essa capacidade de pensar está fazendo falta aos alunos e está sobrando no nosso cenário político: Povo que não pensa, massa de manobra.
Colocaram em nossas cabeças que podemos mudar nosso país nas urnas, mas isso é uma enorme besteira, pois eu não vi até hoje nenhum político se importar realmente com a educação e, esta sim é a única que pode mudar nosso país.
Quanto menos o povo pensar, mais fácil fica para os políticos roubarem em seus esquemas mirabolantes com dinheiro escondidos em cuecas sujas e borradas.
Quando disse que o Rio de Janeiro é uma fartura só, quis dizer que "farta" de tudo: "farta" educação, "farta" saúde - não se esqueçam de ler sobre as 'Clínicas da Família' onde pessoas são contratadas aleatoriamente no local onde são instaladas, talvez a questão seja quem indique,  não concursados - e também "farta" segurança.
Estão sobrando prédios inúteis que o governo do estado poderia aproveitar para colocar "os sem colégios": os prédios das UPAs!
As UPAs são inauguradas com "todo gás" possível, mas é só "para inglês ver", pois uma semana depois de suas inaugurações os médicos já não estão mais lá e nada mais funciona. 
A melhor solução é, depois da inauguração, transformar as UPAs em colégios estaduais!
Ou atender doentes durante o dia - dar um sinto muito e mandá-lo procurar outra unidade - e dar aulas a noite, pois os professores ainda querem trabalhar, por incrível que pareça!
Professor ganha mal, é maltratado pelo estado, pelos alunos, pelos pais dos alunos e ainda assim quer trabalhar.
Dia desses uma amiga minha disse que passou pela maior humilhação da sua vida: Acontece que ela estava sendo assaltada e o ladrão pediu o seu celular, quando ela entregou para ele, e deu uma gargalhada e falou que aquela porcaria velha nem ele queria, mandou que ela o jogasse fora.
Até ladrão sabe que é prejuízo tentar assaltar professor, a menos que este seja casado com um cônjuge que tenha um emprego para suprir a necessidade dos dois.
Como agora é moda suicidar blogueiro que fala demais, prefiro encerrar minha postagem por aqui, mas continuo de olho. 



3 comentários:

Carla Fernanda disse...

Boa noite Kátia!
Isso mesmo amiga. Bola para a frente. Temos que agir e prosseguir.
Aqui estamos em greve desde a última segunda feira.
Beijos e boa noite!
Carla

Carla Fernanda disse...

Onde vamos parar?
Um absurdo!!

Christopher Price Poe Wright disse...

It's a shame!