quinta-feira, 16 de maio de 2013

Ser ou não Ateu



Essa semana fui convidada por uma pessoa que gosto muito para participar de uma mesa de debates sobre religião. De início pensei que isso seria algo muito desgastante, uma vez que tenho frequentado diariamente o Facebook e esse é um local onde as "fogueiras das vaidades" se afloram a cada 1/2 segundo e tudo vira motivo para ofensas e brigas intermináveis!
O motivo dessa pessoa ter me convidado para esse debate foi orque eu sou a única pessoa que ela conhece que se declara claramente ateia e, como falta um na mesa, se lembrou de mim.
Quando digo declaradamente é porque muitas pessoas se declaram católicas porque foram batizadas por seus pais ainda bebês e fizeram a primeira comunhão no colégio quando crianças e casaram em uma igreja para fazer uma bela cerimônia para guardar de recordação, mas nunca, digo nunca, frequentam uma missa sequer. Aliás, difícil é conhecer alguém que realmente faça isso.
Eu posso dizer que todas as pessoas que já conheci durante toda a minha vida, apenas seis pessoas realmente frequentavam a missa, comungava e seguiam todas as normas que eram necessárias para se dizer católico.
A maioria das pessoas dizem que acreditam em deus, mas não tem religião. Essa é para mim a pior e mais cômoda resposta, pois se acredita no deus católico e nem sequer lê os princípios que fundaram   ou que afirmam a existência desse deus, é porque não querem ser olhados como ETs descrentes.
Eu, filha de pai português, que tinha sido seminarista - coisa que só descobri depois que ele morreu - e mãe que foi semi-interna em colégio de freiras, fui batizada bem novinha e fiz minha primeira comunhão aos nove anos de idade.
Para a minha primeira comunhão foi programada uma festa, onde até os parentes que moravam em outro estado foram convidados, pois era um "acontecimento".
No dia anterior à cerimônia, uma tia de minha mãe, que por sinal era Madre Superiora de um tradicional colégio de freiras, resolveu me dar as últimas instruções sobre o que ia acontecer e me deu instruções claras para não morder a hóstia, pois era o corpo de Cristo e minha boca se encheria de sangue.
Adivinhem o que eu fiz?
Sabem o que aconteceu? Nada.
A coisa começou a ficar estranha ai, pois eu comecei a questionar absolutamente tudo.
Depois da primeira comunhão ainda ia para as missas aos domingos, mas comecei a ouvir as história da bíblia como fantasias tais quais contos de fadas ou mitologia grega ou mais uma grande mentira - tal qual a da hóstia.
Depois passeia a questionar a santidade dos padres, pois alguns escândalos envolvendo padres e, até mesmo na paróquia a que pertencíamos e a minha credibilidade foi se esvaindo e a minha fé se foi para sempre.
No começo, a minha falta de fé fez com que eu me sentisse muito desamparada, pois quando desejava muito algo rezava, pedia, esperava por bênçãos. Quando o que esperava, não era alcançado, me conformava com o "livre arbítrio" - de repente não me esforcei tanto assim e deus não ia desmerecer alguém que se esforçou mais só porque eu implorei, eu tive o "livre arbítrio" para escolher me esforçar mais e não fiz.
Depois eu pensei: Se eu tenho que me esforçar, lutar sozinha, correr atrás, eu quero um deus para que?
Abandonei as orações e, com o tempo fui excluindo frases que a gente fala quase naturalmente porque ouve desde criança, do tipo: graças a deus!
Quando os questionamentos começam não param mais. A história de Adão e Eva, por exemplo.
O homem foi feito do barro e a mulher de uma costela desse ser?
Com tanto barro não dava para fazer a mulher dele também?
Brincadeira, gente. Mas é que é um absurdo tão grande que não dá nem para imaginar a possibilidade de uma coisa dessas ser possível.
A Arca de Noé. Qual era o tamanho dessa coisa?
O Titanic afundou e matou um monte de gente e a arca de Noé salvou até as baratas?
Quando me casei, meu marido me fazia ir à missa com ele todos os domingos e aquilo me fazia muito mal porque igreja não é um lugar de debates e cada vez que o padre fazia o seu sermão eu sentia vontade de levantar a mão e fazer algumas perguntas embaraçosas, mas não podia. Mas também não ficava como uma vaquinha de presépio repetindo amém e graças a deus, ficava calada o tempo todo. Todo mundo reparava em mim.
Passei a sair durantes as missas para fumar do lado de fora, fumava muito e o tempo todo, depois parei de ir.
Quero realmente ir a esse debate porque quero fazer aquele monte de perguntas que não podia fazer na igreja. E não aceito a resposta do átomo.
É mais difícil ser ateu do que hipócrita, daqueles que falam que não tem religião, mas acreditam em deus, mas eu sou assim.

3 comentários:

Gilberto Carlos disse...

Não ser ateu. Nunca!

Katia Cristina disse...

Gilberto
Respeito sua opinião, assim como espero que você respeite a minha.

alessandro disse...

não é necessário acreditar em um deus para ser uma pessoa boa .. por tanto sejá o que vc quiser não o que seus pais querem.