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quinta-feira, 3 de março de 2011

A natureza é irritante – Parte 4: Bichos Indesejáveis




Uma coisa que a gente não imagina quando muda para a zona rural é que, além do silêncio, temos que aturar o barulho dos mais diversos animais!
Quando vi pela primeira vez a placa de “Área de Preservação Ambiental”, pouco antes da entrada para o meu condomínio, não entendia exatamente o que isso significava.
Só depois que vi que um sapinho mínimo impediu a ampliação de uma estrada local foi que entendi o seu significado.
Cá entre nós, se eu tivesse achado o sapinho estranho tinha estrangulado ele antes que causasse tal estrago – ou estrangulado ele porque era feio mesmo – Enfim, eu não sou uma defensora ferrenha da natureza e definitivamente estou em lugar errado.
Com certeza eu não tenho culpa disso aqui ter sido uma fazenda antes de ser loteada e vendida, mas certamente não suporto os animais que continuam achando que podem fazer o querem aqui.
Atrás da minha casa tem uma área de 700 metros quadrados onde urubus costumavam aparecer uma vez por ano para perpetuar a espécie. Eu nem entendia por que os urubus gostavam daquela parte atrás da minha casa, já que era um lugar limpinho, mas eles vinham todos os anos numa certa época para acasalar.
Nada que eu não pudesse resolver com uma caixa de bombinhas!
Não são só os urubus que vem para acasalar. Alguns animais como micos e algumas espécies de pássaros também. – os marrecos foram “espantados” com a mesma caixa de bombinhas.
Sei que não é uma atitude muito digna interferir na natureza, mas quando eu comprei esse lugar, os animais não estavam no contrato, portanto, posso expulsá-los.
E venhamos e convenhamos, se eu fosse um pássaro ia preferir me acasalar na Amazônia ou em Fernando de Noronha, não numa área de preservação tão próxima da cidade!
Aliás, se eu soubesse passarinhez, daria essa dica para eles, pois algumas vezes eles são realmente irritantes!!!
Essa semana, uma cobra resolveu entrar no meu quarto recém reformado. Como se não bastasse ela ter entrado não sei por onde, já que a porta estava fechada, ainda resolveu se esconder dentro do tênis do meu marido, quando sentiu nossa presença.
Hoje eu acordei com um insuportável cuí, cuó, nos meus ouvidos: Eram os malditos micos que estavam “conversando” nas árvores.
Como se não bastasse os micos, os perus que meu vizinho cria no quintal respondiam na maior animação. E tudo isso acontecia às 6 da manhã!!
Esses micos vinham em bandos de 50, 60, para acasalar, mas, como o tempo o número foi reduzindo para a minha felicidade.
Como se o seu assovio já não fosse insuportável, hoje eles estavam na árvore em frente a minha varanda decidindo o que iam roubar!
Era tanto cuííí, cuóó, que eu resolvi levantar e sair para “negociar” com eles.
Lógico que eu comecei a esbravejar e eles acharam melhor sumir antes de levar uma pedrada.
Depois os ecochatos reclamam que algumas espécies estão quase extintas!
Se eu sou presidente desse país pego tudo que animal que não fosse doméstico, levava tudo para a Floresta Amazônica, colocava uma grade eletrificada para impedir que saíssem e deixava-os lá bem seguros.
É tanto bicho vivendo aqui que em certa época do ano as crianças evitam ficar na pracinha porque um maldito pássaro faz o ninho na grama e ataca qualquer um que chegue perto.
Onde já se viu passarinho fazer ninho no chão? Vai para o alto de uma árvore onde não incomoda ninguém, seu chato!
Sem contar o maldito gavião que resolveu fazer seu ninho na minha antena de UHF. Está certo que eu não sou lá muito fã de TV, mas eu gosto de ver o noticiário, mas nunca consigo porque o maldito muda a antena de lugar com seu peso!
A minha vizinha resolveu alimentar uma família de raposas selvagens que apareceu por aqui com ração e frango desfiado!
Eu nem sabia que existia raposa no Brasil e se eu mesma não tivesse visto também não acreditava – tá bem que a gente chegou a essa conclusão pesquisando na internet.
Ah! Eu fiquei tão feliz quando vi o bicho da primeira vez, pois pensei que era o fim do galinheiro do vizinho, mas qual não foi a minha decepção quando soube que a síndica a estava alimentando para impedí-la de matar!!!!
Eu teria feito diferente: Comprava passagem para a família toda para Fernando de Noronha e de primeira classe!
Agora eu gostaria que todos repetissem comigo:
- Animal selvagem, não pode ser tratado como animais de criação e galinhas, perus, patos, cabras e bodes devem morar em um sítio, longe de pessoas sanas que não aceitam o convívio com esses animais!
Depois de repetirem isso 700.000 vezes, acho que vocês já estão preparados para viverem no meu condomínio!


Foto by Katia Martins

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A natureza é irritante – Parte 3: Um dia na praia






Existe coisa mais irritante do que ir à praia?
Para uma pessoa como eu ir à praia é necessário encher um porta malas de coisas absolutamente indispensáveis: um guarda-sol enorme (não é qualquer guarda-sol, ele tem que ser quase uma barraca), uma cadeira de pés altos (porque eu detesto encostar na areia), um isopor cheio de água, um balde para me molhar (já que eu não me atrevo a entrar no mar), chapéu, livro, óculos de sol, protetor solar, cangas (notem que no plural), chinelo, toalhas, ...
Só a preparação para o passeio já me consome o suficiente e já me deixa irritada!
Depois de conseguir colocar toda essa “parafernalha” no carro, eu pego um enorme engarrafamento e aproveito para “fazer uma sauninha” antes de chegar à praia.
Depois de chegar à praia, tenho que encontrar um lugar para estacionar, o que uma missão quase impossível.
Lógico que só se acha vaga num lugar bem longe que é para ter que carregar toda tralha até ficar cansado e com sede!
Chegando à praia, escolho um lugar onde  acredito estar livre da principal praga da areia: as crianças. – como se fosse possível estar livre de uma criança correndo desembestada e jogando areia para todos os lados.
Começo então, a abrir o buraco na areia para fixar a barraca. E tem que ser um senhor buraco, pois a barraca é enorme!
Depois de desmontar a cadeira, cobri-las com as cangas, está na hora da diversão: ficar me escondendo debaixo do guarda-sol, enquanto o sol muda de posição.
De vez em quando, eu pego o baldinho e vou até a beirinha para me molhar.
Não é realmente divertido?
Depois de um dia inteiro “cozinhando” debaixo do guarda-sol, eu tenho que recolher tudo e pegar outro engarrafamento para voltar para casa.
Chegando em casa, me sinto ardendo, cansada e nada, mas nada desestressada, pelo contrário, sinto como se o dia tivesse sido inútil, pois me aborreci com as crianças que passaram correndo, com a bolinha do frescobol, com os cachorros que faziam caquinha na areia, com a mulher que gritava com os filhos,...
Realmente praia seria um lugar muito agradável, se fosse deserta.












Foto by Katia Martins

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O lugar é bom, mas...

Faz um tempinho fizemos esse vídeo para celebrar nosso lugar, mas ai veio o vento e derrubou nosso castelo de areia.


terça-feira, 27 de julho de 2010

A natureza é irritante – Parte 2: Se beber não se mude para a zona rural.





Depois do zilhionésimo ônibus passar na frete da nossa porta e perdemos mais um diálogo importante do capítulo final da novela – que já nem me lembro mais qual era – eu e meu marido resolvemos abrir aquela garrafa de uísque enviada pelo patrão dele para afogar as mágoas.
Alguns poderiam afirmar: o último capítulo tem reprise, mas não dava para fazer uma barricada e impedir o tráfego dos ônibus e afins, a única solução era beber.
Fomos para o escritório, ligamos o som no seu último volume em suas 4 caixas de som e começamos a ouvir Elis Regina.
Idéia mais que infeliz, pois nessa hora meu marido resolveu mudar para a zona rural.
A gente sabia que não tinha dinheiro para comprar um sítio, nem uma casa, mas dava para comprar um terreno.
Comprar um terreno e erguer a fundação da casa, isso dava para fazer. Subir tijolo era rápido, barato e, se a música falava em “pau a pique, sapê”, estávamos bem melhor, pois seria de tijolos.
O grande e maior problema de tudo é que pagávamos aluguel e o dinheiro para a obra estava começando a rarear.
Solução encontrada: Mudar para a casa com ela estava!
Alguém se lembra da música “A casa” de Toquinho e Vinícius?
Era a própria!
Chegamos com a mudança em um domingo e a primeira coisa que aconteceu depois de colocarmos tudo dentro dela foi chover.
O fato poderia passar despercebido se as janelas tivessem vidros, mas as janelas não tinham vidros. E era chuva de vento.
Logo a casa tinha um enorme rio passando por dentro dela molhando todas as caixas de papel onde estavam “nossos tesouros”.
Como era verão, no dia seguinte o sol amanheceu mais que brilhante!
Detalhe: As janelas não tinham venezianas e, assim que o sol nasceu eu acordei.
Era hora de começar a abrir as caixas e ambientar uma criança de 2 anos.
Portas trancadas, coisa natural em pessoas urbanas, meu filho saiu na janela e admirado me chamou:
- Mãe! Tem um cavalinho no jardim!
Natural ter um cavalinho no jardim, a gente não tinha nem vidros, quanto mais muros.
- É, meu filho!
- É, mãe, o cavalinho olhou para mim e fez múúúú!
Era uma vaca.
Comecei a repetir para mim: “Eu fiz a opção certa”. Acho que isso virou uma espécie de mantra porque continuo a repetir isso 13 anos depois.

O nosso terreno estava muito bem localizado em um condomínio fechado com clube privativo, mas isso tudo não aconteceu até hoje, apesar de eu todos os dia perguntar quando as obras vão terminar e ouvir a mesma resposta há 13 anos: Daqui a 3 meses.
Detalhe: quando mudei, isso aqui parecia uma selva, pois não tinha água, luz ou esgoto!
Tudo era “no gato”. Ninguém estava nem ai para a gente. A gente era apenas um bando de morto de fome fugindo da grande metrópole.
As pessoas foram se cansando, descasando, mudando, mas nós continuamos aqui, firmes e fortes e repetindo o nosso mantra:
“Eu fiz a opção certa, eu fiz a opção certa, eu...”

segunda-feira, 26 de julho de 2010

A natureza é irritante - Parte 1 : Passeio ecológico





Aproveitando a enxurrada de programas de TV de cunho ecológico e a quantidade de “pacotes ecológicos” que estão tentando nos vender, resolvi mostrar que a natureza também pode ser irritante.
Falando dos “pacotes de turismo ecológico” vamos imaginar um simples: Uma bela caminhada pela Mata Atlântica: Você compra o pacote e, no dia marcado, faça chuva ou sol, tem que ir.
Você paga beeeeeeeeeeem caro para andar no meio da mata fechada, por uma trilha que não tem certeza da onde vai dar, tropeçando em galhos caídos, desviando de cobras e aranhas.
Isso sem contar que você deve usar roupas confortáveis, porém não deve esquecer o kit básico: água, barrinhas de cereais, chocolate, repelente e telefone celular.
Sim! Telefone celular, pois se tudo mais der errado você pode ligar para a família para se despedir ou pedir por socorro.
Certifique-se um dia antes de colocar a bateria para carregar!
Lembre-se de não usar um tênis comprado no dia anterior, pois isso pode ser um verdadeiro desastre. Essas caminhadas nunca demoram menos de uma hora!
O passeio começa cheio de expectativas, mas o tempo vai passando e depois de você olhas para uma centena de árvores que parecem todas iguais para você, começa a achar que fez uma grande besteira em insistir com  seus amigos para fazerem o passeio.
Mas você não vai confessar nem morto que está achando aquilo tudo uma chatice e vai ficar fazendo cara de satisfeito e maravilhado quando o guia te mostra um calanguinho igualzinho a centenas que passeiam pelo muro da sua casa.
Você anda, anda, anda e finalmente chega ao destino: normalmente uma cachoeira super gelada (que você entra só de raiva, nem que tenha que bater os dentes depois), uma vista das alturas do lugar como um todo (que você tem que achar bonito, afinal, essa trilha teve o agravante de ser íngreme), mas, no geral nem vale tanta à pena assim.
É nessa hora que a “turma da farofada” resolve abrir as bolsas e tirar aquele frango assado de padaria para fora e encher o bucho do pessoal. Se você achou que o passeio nem foi grande coisa assim e resolve cair de boca na comida, melhor se lembrar que vai ter que voltar pelo mesmo caminho que veio.
Na volta você já está suficientemente irritado, chateado, agoniado e esquece-se de passar o repelente e os mosquitos começam a te picar em todos os locais possíveis.
Eu juro que, certa vez, matei uma carreirinha de pernilongos na minha perna!
Era tanto sangue que escorria pela perna...
Você volta e fica torcendo para seus amigos estarem bem cansados para reclamarem, pois amanhã você pode dar um jeito de sumir para não ouvir as reclamações.
Quando as milhares de pessoas que você convidou para fazer o passeio com você vierem te perguntar como foi, você fala que foi maravilhoso, que foi uma pena ela não poder ter ido e fala que vai colocar as fotos no seu Orkut para ela ver.
Não se esqueça de passar o dia seguinte com roupas que possam cobrir seus braços e pernas porque senão ninguém vai achar que o passeio foi tão bom que valeria à pena ficar todo lanhado. 

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Casa no campo





Impulsionado pela música Casa no Campo de Zé Rodrix, meu marido resolveu nos mudar para mais perto do campo, porém, depois de 13 anos morando no local, eu agora gostaria de fazer a minha análise da música:


Casa no Campo

Composição: Zé Rodrix / Tavito

“Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais”

Nesse ponto exato fico imaginando o Zé Rodrix sentado ao piano procurando a nota certa para dar continuidade à sua música quando um enorme peru berra.
Pronto! Tem que começar do início!

“E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais”

Isso é realmente engraçado, pois quando você se muda para longe e um amigo aparece para te visitar é porque é teu amigo mesmo. Ninguém dirige quilômetros para visitar alguém de que não goste muito.

“Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar do tamanho da paz”

Depende do que se considera paz ou início da loucura, pois quando o único som de vida humana que você ouve vem de você mesmo é quase de enlouquecer.

“E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais”

Isso realmente a gente consegue, pois tem um monte de mato em volta que você tem dar cabo para não se sentir o Tarzan no meio da selva e não consegue uma pessoa eficiente para fazer isso. Também tem a lama, a falta de esgoto...

“Eu quero carneiros e cabras pastando
Solenes no meu jardim”

Daí se vê que ele nunca esteve ou chegou a ter uma casa no campo, pois as duas coisas são antagônicas, pois ou se tem cabras e carneiros ou jardim. Essa praga come até plantinhas em vasos.

“Eu quero o silêncio das línguas cansadas”

Só se é por não ter com quem conversar, pois você longe de tudo e de todos começa a fica pobre e burro.

“Eu quero a esperança de óculos
E um filho de cuca legal”

Só porque você mora isolado não quer dizer que seu filho vai ser um nerd ou que não vai pensar em fazer besteira.

“Eu quero plantar e colher com a mão,
A pimenta e o sal”

Se as lagartas, os caramujos, as formigas, os besouros e insetos que nem sei denominar não comerem.

“Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau a pique e sapê”

Isso é que realmente é utopia! A umidade acaba com tudo em uma casa de tijolos e cimento, agora imaginem de pau a pique e sapê!

“Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros e nada mais”

Esqueça os amigos, os livros as traças comem tudo e os discos ficam sem capa e totalmente estragados com a umidade!

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Casa no Campo (parte 8010?)


Hoje, após me deparar frente a frente com um gambá que estava no meio da minha cozinha, cheguei à conclusão de que preciso urgentemente ir a uma sessão espírita.
Com certeza! Preciso invocar o espírito da Elis Regina e perguntar se ela cantava Casa no Campo por convicção ou sonho.
Com alguns versos eu até concordo. Veja esse, por exemplo: “E tenha somente a certeza dos amigos do peito e nada mais”.
Tenho que concordar com esse verso, pois se algum amigo aparecer para te visitar é porque é amigo de verdade, afinal quem quer se deslocar quilômetros para fazer uma visita?
Mas voltando ao gambá... Eu não sei quem estava mais assustado: o gambá mendigo ou eu, pois a última vez que um gambá entrou em nossa casa quebrou o dedo do meu marido, que tropeçou fugindo do bicho.
O bicho estava entrando sistematicamente na minha casa todas as noites para revirar o lixo e não era incomodado e de uma hora para outra se vê diante de uma multidão. Ficou totalmente desconsolado e escondeu a cabeça em uma pilha de garrafas de cerveja, deixando o corpo de fora.
O meu gato, que apanhava todos os dias pela manhã por causa do lixo revirado, se sentiu vingado e saiu aos saltitos atrás do roedor. Parecia até uma bicha felina de tanta felicidade. Enfim, estaria vingado!
Porém sua curiosidade durou o tempo de eu sacudir o pote de ração e trazê-lo de volta.
Para evitar outros maus entendidos, resolvi entrar em acordo com o gambá: Deixo um pouco de resto de comida todos os dias do lado de fora e ele não invade mais a minha cozinha, afinal, descobri não ser um gambá, mas uma gambá que descobriu que ter a sua cria embaixo das minhas telhas era mais confortável do que ao relento.
Esse não é o primeiro problema e nem será o último que uma pessoa extremamente urbana como eu, criada em apartamento e em casas cimentadas até o teto irá enfrentar, com certeza não.
Outro dia ainda me lembrei de outro verso da música: “Eu quero carneiros e cabras pastando solenes no meu jardim”.
Acordei em plena manhã de domingo ouvindo um béééééééé tonitruante. O bode e as cabras do vizinho escaparam e estavam devorando tudo em meu jardim. Nem o Bouganville escapou e olha que o bicho tem tanto espinho que eu xingava até a minha 5ª geração quando tinha que podar. Eu disse tinha porque eles mastigaram tanto que dificilmente voltará a brotar.
E pastavam soberanos porque estavam bem guardados por um bode preto que parecia ter saído do inferno, tamanha a gana que teve em me dar uma corrida.
E as reuniões de família? Ah! Essas tem um sabor todo especial. A gente se reúne na varanda dos fundos e, como a música alta confunde os radares dos morcegos a gente corre o risco de tomar uma morcegada pela cara. Eu já até desenvolvi uma técnica toda especial de deixar para abaixar quando eles estão bem perto e só levantar quando tenho a certeza que tomaram outros rumos. Isso a música não fala.
Mas se tem uma coisa de que posso me orgulhar é que, apesar de ter mosquitos de todas as espécies e cores (tem até azulado), aqui não teve um só caso de dengue! Com certeza os milhares de sapos, rãs, louva-deus, que se alimentam com larvas que se desenvolvem em água parada ficaram muito mais gordinhos nesse verão.
A sapaiada é um capítulo à parte nessa minha Odisséia, pois a primeira noite após cessarem as chuvas ouve-se a cantoria de longe!
Seria até bucólico, não fossem as cobras que vem atrás da cantoria. ‘Inda outro dia ouvi um sapo fazendo um barulho muito estranho e fui no mato olhar e vi que estava sendo estrangulado por uma cobra muito pouco simpática.
Um outro animal que merece um parágrafo na minha Epopéia é o Mico da Cara Preta ou seja lá como o Globo Repórter o denominou. A verdade é que vi a reportagem dizendo que o bicho estava em extinção e eu achei interessante que no Jamelão atrás da minha casa tivesse pelo menos uns vinte. Achava tão bonitinho os assovios que faziam para se comunicar, achei até que eram amistosos. O pior é que eram, até o dia que começaram a roubar garfos, facas e colheres na minha casa.
Não sei se foram eles que deixaram de ser amistosos ou eu, só sei que se eles estava em extinção eu não sei, mas se continuassem a roubar em minha casa certamente estariam extintos.
Outro animal que merece um parágrafo especial na minha Tragédia é o Quero-quero. Eu não entendo porquê um passarinho não gosta de voar. Ele ensaia um pequeno vôo e depois começa a andar aos pulinhos.
O principal problema desses passarinhos é fazer os seus ninhos no chão da pracinha e a tal pracinha ser caminho de passagem para todos que querem sair do condomínio. Todos que passam pelas ruas representam uma ameaça para seus ninhos. Sem contar a garotada que quer jogar bola no campinho e leva com uma bicada de Quero-Quero pela cabeça.
Ainda bem que para o meu consolo os autores da música ainda estão vivos para ouvirem as minhas queixas, pois me sentiria totalmente desolada se eu não pudesse chamar ninguém de mentiroso.
Com certeza morar numa casa no campo não é tão ruim assim, desde que todos os animais medonhos e insuportáveis estejam em extinção.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

A natureza é amiga ou inimiga?


Eu sou uma pessoa privilegiada, pois possuo um bom terreno onde posso plantar e colher.
A primeira coisa que plantei foi acerola. Achava lindas aquelas frutinhas vermelhinhas no pé. Aliás, a árvore toda parece de enfeite de tão bonitinha. Demorou 3 anos para começar a dar fruta, mas todos os anos ela se enche de frutinhas vermelhinhas. A única queixa que eu tenho é que além de bonitinhas e cheia de vitamina C, deveriam ser docinhas.
Resolvi plantar mamão. Tenho 2 pés de mamão.
O mamão logo que cresceu, começou a dar frutas. Primeiramente de maneira discreta: dava 1 ou 2, depois começou a dar 4 ou 5 e esse ano já deu mais de uma dúzia!
Como essas frutas demoram a amadurecer!
Isso sem contar que tenho que disputar os meus mamões com os passarinhos. Se eu deixar amadurecer totalmente no pé, os passarinhos bicam tudo!
Como o ser humano é um eterno inconformado, plantei 2 mangueiras. E olhem que não suporto nem o cheiro da flor da mangueira!
Cada vez que venta mais forte, cai um monte de manga sem nem mesmo amadurecer! Ainda não vi nenhuma manga madura.
Plantei também 1 bananeira, que já virou 2, 3, 4, 5 e banana nada.
Mês passado começou a sair um cacho e fiquei toda contente, mas o cacho deu apenas 1 dúzia de bananas e tudo miudinha de dar dó.
Plantei uma amoreira que está sempre cheia de amoras, mas a gente tem que ver e comer, senão elas amadurecem e caem no chão.
Agora eu plantei um coqueiro que está demorando uma eternidade para crescer!
Não sei se o agricultor tem que administrar todas essas perdas, mas eu estou desiludida com as minhas frutinhas. Embora elas sejam muito bonitinhas, não produzem aquilo que eu esperava.
Se dependesse de eu viver das minhas frutas estava perdida!
Aliás, eu sou 8 ou 80.
Comprei um pé de Dama da Noite porque adorava o cheiro das flores quando abriam a noite. As flores abrem de 2 em 2 meses e era superagradável abrir a porta de noite e sentir o cheirinho da Dama da Noite. Eu disse era porque a exagerada aqui resolveu fazer mudas e plantar uma na frente da casa e outra atrás! Imaginem 3 pés imensos de Damas da Noite dando flor ao mesmo tempo!!! Chega a ser intoxicante!!!
De primeiro era um prazer abrir a porta da frente da casa, hoje em dia é uma verdadeira tortura deixá-la aberta!
Ainda me queixando dos meus exageros, gostaria de deixar registrado que quando mudei para essa casa o sol que batia na minha parede da sala no verão era algo impressionante!
Primeiro eu construí um muro para diminuir, nada adiantou. Resolvi ficar observando da onde vinha o sol e plantar árvores na direção dele.
Primeiro eu plantei uma mangueira, porém como estava demorando muito para crescer, plantei uma Amendoeira. A Amendoeira cresceu bem rápido, mas eu não contabilizei a quantidade de floras que caem todos os dias na minha calçada. E como caem folhas!
Agora eu desisti mesmo de tentar resolver meus problemas com a natureza e resolvi plantar telha na frente, fundos e nas laterais da casa.
Ando mesmo muito desanimada com o meu jardim, que já foi o mais bonito e florido do condomínio inteiro. Principalmente porque a minha casa ainda não está totalmente pronta e, cada vez que a obra se reinicia, elas ficam meio prejudicadas.
A minha acerola, apesar de estar carregadinha de frutas, teve que ser podada até a metade! É uma pena, pois antes de podá-la, tiramos duas sacolas de supermercado cheias, mas não dava para passar com as telhas no meio dos galhos da acerola, até porque, só de esbarrar nos galhos, você fica todo pinicando, parece que tem um monte de agulhas enfiando no seu corpo. Enquanto você não toma um bom banho de bucha, não para de se coçar.
E por falar em buchas... Eu também plantei uma sementinha de bucha que logo se espalhou, espalhando buchas por todos os lugares. Tem bucha pendurada pelas minhas paredes, pelas paredes dos vizinhos, pelo telhado do vizinho...
A natureza algumas vezes é muito constrangedora...
Falando em constrangimento, como a minha calçada é de grama e a do meu vizinho é de pedras, plantei uns pingos de ouro separando as duas. Com a vida corrida, esqueci de podar o bichinho e ele cobriu o relógio da light do vizinho com os seus galhos. Ainda bem que, se a minha vida é corrida, a dele é bem pior e acho que ele só se deu conta do que estava acontecendo quando chegou em casa e viu que eu tinha cortado o bichinho lá em baixo.
Eu sou realmente exagerada em tudo que faço e, agora, nesse momento, não pretendo plantar mais nada no meu jardim. Até porque, algumas dessas plantas já estão me atrapalhando, isso sem contar a quantidade de insetos que a maioria delas atraem.
É tanta aranha, abelha, formiga, cachorrinho do mato, pernilongos, mosquitos...
É tanto inseto que agora só me deixo ser picada se o inseto vir com plaquinha de identificação, caso contrário, nem chegam perto. Passo tanto repelente no corpo que fico toda grudenta.
Toda essa minha experiência com o meu quintal me fez refletir sobre o homem do campo e sua árdua tarefa de administrar toda essa fúria da natureza e ainda garantir seu sustento dessa forma. É uma tarefa muito árdua!
Esses homens são verdadeiros santos por ararem a terra, terem a paciência para esperar produzir, colher na hora certa, evitar as pragas...
Muitas vezes a falta ou o excesso de chuva faz com que todo o seu trabalho seja perdido. Viver contando com a natureza é realmente uma coisa muito difícil e com toda destruição da natureza, fica cada vez mais difícil produzir o suficiente para obter algum lucro.
Devemos tentar reverter um pouco essa situação, pois em breve não teremos mais o que comer, já que tudo depende da natureza.
Plante uma árvore, apesar do transtorno, garanto que irá te dar muito prazer em vê-la crescer e te presentear com uma linda sombra para um maravilhoso final de tarde.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Venha para a vida mais saudável, more no campo.

Quem já não ouviu uma besteira como essa e se sentiu tentado a comprar uma casa numa área mais tranqüila?
Pois eu caí na besteira de fazer isso.
É indiscutível que a tranqüilidade existe, pois morando em um grande centro urbano, muitas vezes perdemos o diálogo principal de um filme porque passou um caminhão bem na hora H. Mas, uma pessoa extremamente urbana, como eu, deveria ter imaginado que teria sérios problemas ao mudar-se para a área rural.
Logo na entrada tem uma placa com os seguintes dizeres: “Você está entrando em área de preservação ambiental”.
Você fica todo animado e começa a olhar para os lados, mas tudo que vê é mato!
Eu só consegui ver mato, mas meu marido dizia que era beleza natural, não sei bem o que ele quis dizer com isso, mas concordei, para não parecer idiota.
Compramos o terreno e erguemos a casa, parecia que o sonho estava realizado, mas no pacote “casa no campo” vieram as moscas, pernilongos, abelhas, vespas e uma gama de insetos respeitável!!
Comecei a achar que o excelente negócio não era assim tão bom, mas não iria desistir tão fácil. Comprei um monte de inseticida, pó para matar formigas (que são de formas, tamanhos e cores variadas), veneno para baratas, e outras coisas que o IBAMA não pode nem suspeitar. Quando a casa se tornou mais habitável aos seres humanos, começaram a aparecer os bichos maiores como os morcegos, ratos, gambás e, não poderia deixar de citar, as cobras!
Acostumadas a transitar sem interferências pelos matos, as cobras começaram a estranhar a existência de casas no local e, consequentemente, começaram a invadir. O que nos causou, a princípio um grande susto, depois, fomos acostumando a matá-las e depois elas, por si só sumiram. No começo a gente matava umas 5 cobras por semana, agora, quando muito, aparece uma por ano.
Como todo idiota de cidade grande, todos plantaram árvores frutíferas em seus quintais e isso multiplicou o número de morcegos no local, lógico. Qualquer coisa que e faça aqui vira uma coisa de proporção desastrosa!
Se contar a tal “beleza natural” que cresce para todo o lado mais rápido do que eu consigo dar cabo dela!! E dá-lhe veneno!! A mais maravilhosa invenção que eu já conheci foi o veneno para matar o mato!!
Pronto, agora o quadro estava perfeito: o sujeito se muda para uma área de preservação ambiental e começa a jogar veneno para todos os lados, com medo!
Ainda hoje, apesar de já estar aqui há 9 anos, eu ainda me assusto com os pequenos morcegos que, vez por outra, invadem a minha casa ou quando aquela cobra desavisada sai pelo ralo do meu banheiro, mas já não é um drama assim tão grande!!
Alguns animais, que deixei de mencionar, são muito bonitinhos quando a gente vê no zoológico, à distância, mas quando passam a fazer parte do seu quotidiano são extremamente insuportáveis!!
A primeira vez que vi um miquinho na árvore, achei muito bonitinho, mas a minha vizinha resolveu colocar bananas para que eles se acostumassem com a gente, aí virou uma loucura!
Os micos roubam qualquer coisa que tenha brilho, isso pode ser um espelho, um garfo, ou o seu relógio! O pior é que a gente não sabe para quê eles querem isso ou para onde levam!
Comecei a estudar soluções mais eficientes para combater os animais: Primeiro comprei um cachorro.
O animalzinho tinha a árdua missão de correr atrás de qualquer bicho que entrasse no quintal.
Depois arranjei um gato. O gato fica dentro de casa e garante que os bichos que passem pelo cachorro não saiam vivos.
Conseguimos montar um cenário totalmente urbano em uma área rural!
Com o passar dos anos, outros moradores começaram a ter gatos e cachorros em suas casas, reduzindo consideravelmente o números de pássaros, entretanto, como o condomínio não está totalmente habitado, ainda vemos alguns bichos circulando livremente, mas eu acredito que quando todos estiverem com suas casas prontas, esse lugar não será em nada diferente de outros que vemos em centros urbanos.
Não posso deixar de dizer que eu moro na rua mais “chata” do condomínio, pois aqui ninguém ouve som alto ou faz festa todo final de semana, mas o pessoal que mora na última rua é um bocado barulhento e, volta e meia dá confusão!
Em geral, não é um lugar ruim de se viver, mas a gente tem que aprender a conviver com cada coisa!! Um exemplo claro do que eu estou falando é quando o dono do sítio ao lado esquece a porteira aberta e as ruas do condomínio são invadidas por dezenas de bois e vacas.
Já pensaram que agradável? Você sai de casa pela manhã e tem uma vaca comendo as flores da sua calçada!
Isso quando não é o dono do Haras que esquece o portão aberto, pois os cavalos saem desembestados pelas ruas atropelando todo mundo!
Certa vez, tinha um cavalo comendo o seu matinho tranquilamente quando um garoto resolveu que iria atormentá-lo. O menino e sua vareta cutucaram o cavalo uma porção de vezes até que o animal, enfurecido, resolveu agarrar, com os dentes, o shorte do menino e jogá-lo do outro lado da rua!
Eu que sempre imaginei o cavalo como um animal tranqüilo e amigo de nós seres humanos, naquele dia passei a ter total pavor do animal. Eu passei a ter tanto pavor do bicho que, quando me convidaram para uma “Festa de Peão e Boiadeiro” e a idiota foi, fiquei totalmente em pânico quando começou a exposição de cavalos de raça!
Conforme os cavalos iam chegando e me cercando, eu só conseguia me lembrar da cena em que o menino era atirado pelo cavalo!
Para todos os lugares em que eu olhava só conseguia ver, em cada um animal, uma ameaça. Fiquei tão desesperada que, em cima das minhas botas, cano alto e salto, saí correndo para casa, deixando todos que estavam comigo a minha procura.Decididamente eu não nasci para a vida no campo e nem para freqüentar as suas festas, portanto estou decidia a me isolar até que a vida se torne mais urbana neste local.

domingo, 1 de julho de 2007

“Não importa onde a águia faça o seu ninho, pois ela sempre será uma águia”.

Acho que esse é o ditado mais idiota que eu já ouvi na minha vida.
Eu detesto o lugar em que eu moro!
Está certo que conheço pessoas que moram em lugares muito piores, mas eu realmente não gosto daqui.
Quando vimos o terreno para comprar nesse condomínio, achamos que estávamos fazendo um excelente negócio, pois estávamos longe da estrada, do barulho, da violência e etc. Só esqueceram de nos contar que tipo de gente moraria aqui!!
A maioria das pessoas do condomínio está mais preocupada com a vida dos outros e se esquecem que também estão sendo vigiados por “outra turma”.
É só sair um solzinho e as pessoas colocam as suas cadeiras nas calçadas para ficarem “conversando”. Não é que seus terrenos sejam pequenos e não tenha espaço nos quintais para que as pessoas possam ficar, pelo contrário, o quintal é tão grande que eu não dou conta de cuidar dele todo. As pessoas gostam mesmo de ficar na rua vigiando a vida dos outros.
Cada pessoa ao comprar seu terreno, se preocupou em fazer uma churrasqueira e uma piscina para suas reuniões familiares, mas o que ocorre na realidade é que o espaço público do condomínio é que é utilizado para tal fim.
Na esquina da minha rua tem uma área arborizada onde as pessoas simplesmente fazem churrasco, feijoadas na lenha e etc.
Não tem coisa mais desagradável do que você sair da sua casa para fazer qualquer coisa e dar de cara com uma “festa particular” na sua esquina! Pior, você não sabe como agir!
Se cumprimenta, parece que está se convidando, se não cumprimenta parece que é metido.
Se a festa é em família, por que as pessoas não ficam de seu portão para dentro?
E as reuniões que fazem entre vizinhos?
Eu nunca vi nada mais desagradável!
Seja dia dos pais, das mães, não importa, sempre tem o grupinho do “vamu si dá bem”. Você leva Skol, acaba bebendo “itaibrava”. Leva Coca-Cola, acaba bebendo tubalina.
Isso sem contar a pior festa do ano: A festa Julina.




A FESTA JULINA




A festa por si já é brega, agora, com o pessoal daqui fica mais brega ainda!!
As mulheres, a maioria, gordas, quando não vestem aquela roupinha característica de caipira, que, aliás, ficam lindas em mulheres com certa idade, vestem seus “lindos” vestidos, sem nem sequer se lembrar que Julho é um mês frio. É realmente um festival do mau gosto!
Cada morador contribui com uma quantia em dinheiro, um prato de doces e um de salgado, 2 refrigerantes e cerveja, se assim desejar. Tudo bem anotado para não dar erro.
Todos os pratos são distribuídos entre todos para evitar transtornos.
Nada disso funciona, nada. O que acontece na verdade é um festival de pastéis de queijo em cima da mesa. E os doces? Todos comprados em lojas! É um festival de paçocas, pés-de-moleque, amendoins...
Você fica morrendo de raiva de ter passado o dia todo na cozinha preparando comidinhas especiais, enquanto a maioria sai e compra qualquer coisa.
A questão da cerveja ainda é mais complicada, pois a gente vai e compra a melhor e recebe um ticket dizendo apenas a quantidade que você entregou e não a marca. Quando vai beber te entregam qualquer porcaria. Isso quando você não demora muito para beber e vai lá buscar e acabou!! Acabou como se você não bebeu?
Sem contar que nessas reuniões, as pessoas começam a beber demais e ai acabam dando o maior vexame!!
Outra coisa que incomoda e muito nessa festa é que aqui é um lugar muito silencioso e eles ligam um aparelho de som profissional e, mesmo que a gente não participe diretamente, acaba participando indiretamente.
A festa só acaba lá pelas 5 da manhã, ninguém dorme.
Eu participei diretamente dessa festa apenas uma vez e foi o suficiente para não querer participar nunca mais de reunião alguma! Até não foi tão ruim assim, pois meu marido ganhou uma panela de pressão na rifa!!!
Cruzes! Acho que para quem freqüentava a Robin Wood na década de 80, ganhar panela de pressão em rifa de condomínio no fim do mundo é realmente fim de carreira para qualquer dondoca!
Mas pensando bem, eu ficaria mais infeliz se ganhasse um conjunto de copos.
O dinheiro arrecadado com essas festas deveria servir para a melhoria do condomínio, mas as contas são prestadas de forma tão irregular que não pode ser sério!
Vi sim algumas atitudes individuais em favor do condomínio, mas essas não saíram do caixa.
Mas, voltando à vaca fria...
O meu condomínio está recheado de evangélicos e, nessas festas, acabam perdendo a linha. Alguns ficam completamente bêbados, irreconhecíveis! Mas pior mesmo é que nem alcoolizados deixam de fazer pregação.
Agora imaginem a situação: pregação evangélica já é chata quando o cara está normal, agora quando o cara está doidão é literalmente um porre!
Como eu nunca apareço nessas reuniões, viro a principal vítima de todos!
Assim que cheguei à maldita festa me analisaram de cima a baixo. Faltou só me perguntarem a marca da minha calcinha.
Por mais que eu tentasse me isolar, sempre aparecia alguém querendo ser simpático comigo.
Passei a maior parte da noite com uma senhora “grudada” em mim, falando sem parar!!
Como eu quase não respondia, ela falava e ela mesma respondia.
Ficava o tempo todo falando que a “gente tinha que se unir mais para resolver os probremas do condomínio” e “que o maior probrema do condomínio era a falta de união” e era um tal de “probrema pra cá, probema para lá” . Eu me senti como se estivesse passando a noite ao lado do Cebolinha da Turma da Mônica.
Por mais que eu suspirasse, olhasse em volta, não abrisse minha boca, a criatura começou a se achar a minha melhor amiga e se sentia o máximo com isso.
Meu marido nessas horas some, lógico. Começa a discutir projetos de desenhos ou coisas parecidas e eu é que fico na podre.
Eu juro que tento ser bem antipática para ver se me esquecem, mas não tem jeito.
Isso sem contar que em festas tem um monte de criancinhas correndo, pisando no seu pé, jogando refrigerante no seu vestido, realmente é uma coisa muito agradável, quando você junta a tudo isso um som bem alto, um locutor analfabeto, umas musiquinhas bem bregas e aquele espírito do “vamos gente, tem que participar”.
Sempre aparece alguém que te empurra para a quadrilha improvisada e você fica a música inteira olhando para os lados e procurando o melhor ponto de fuga.
Esse ano não tem nada que me faça sair da minha casa para participar de uma coisa ridícula dessas!
Ano passado já não me pegaram, mas enviei dinheiro e meu filho também foi, mas esse ano vou me fingir de morta.




Agora pensando melhor sobre o ditado que deu origem a todo esse discurso, acho que consigo interpretá-lo melhor: “Não importa onde a águia faça o seu ninho, ela sempre será uma águia”, portanto ela sempre fará seu ninho bem alto, inacessível aos demais animais.