segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Seguindo em frente





Júlia começava mais uma jornada quando observou seu rosto refletido na janela do ônibus.
Ficou alguns momentos observando e pensou: Quando realmente parou de se importar?
Estava sentindo frio e, por isso usava um agasalho que parecia pertencer à outra pessoa, mas ela não se importava, aliás, pouco se importava com qualquer detalhe em sua aparência.
Por um segundo Júlia tentou reverter a linha do tempo até o momento em que seu mundo não significou mais nada.
Uma enorme tristeza invadiu o seu pensamento e Júlia pensou que tudo poderia estar relacionado a algum fato triste ou que tenha lhe causado algum tipo de trauma e começou a se lembrar de acontecimentos tristes ou que pudessem ter lhe marcado dessa forma.
A primeira coisa que lembrou foi a morte de seu pai. Lembrou com todos os detalhes o seu atropelamento na esquina de sua casa, quando um caminhão passou o sinal fechado.
Logo em seguida lembrou-se dos momentos felizes ao lado de seu pai e sorriu.
Com certeza ficava triste ao lembrar-se de seu pai, mas tinha tantos momentos felizes ao lado dele que certamente não fora sua morte que a deixara sem motivação, até porque depois de sua morte, lembra-se de se arrumar, sair, viver!
Ah! Viver!
Essa simples palavra tem um sentindo mais amplo do que costumamos usar.
Viver seria estar em harmonia ou em sintonia com tudo que nos cerca, mas isso é humanamente impossível!
Então, passamos a vida perseguindo algo que sabemos que jamais iremos conseguir e, portanto, formamos uma legião de infelizes.
Júlia se lembrou da doença de sua mãe e como fora difícil estar com ela até os últimos dias de sua vida...
Mas isso não a impediu de lembrá-la das tardes na pracinha e de como a mãe empurrava a sua balança e de como segurava a sua mão com força quando iam atravessar uma rua...
Mais uma vez sorria...
O ônibus chega ao ponto em que Júlia deve descer para uma nova jornada de trabalho e seus pensamentos se desviam para uma nova indagação: Júlia se perguntava por que continuava nesse emprego, já que mal dava para pagar a diarista que trabalhava em sua casa, mas enfim...
Júlia entra e vai direto ao vestiário colocar o seu uniforme. Aliás, achava uniforme uma coisa muito confortável, desde os tempos de colégio, pois deixava todos iguais, pelo menos era o que pensava até hoje, pois hoje notou que, apesar do uniforme, não era igual às outras mulheres da loja.
Prestou atenção em cada mulher que trabalhava naquele local e todas pareciam mais femininas que ela. Até a menina com luvas amarelas que limpava o banheiro era mais mulher do que ela!
Passou o dia conferindo e carimbando notas e pensando em uma maneira de se reinventar!
Se reinventar? Não! Ela só queria ser ela mesma, pois hoje e apenas hoje não se reconheceu.
Estava decidida: Amanhã ia a um salão e faria uma mudança total em seu visual!
Como todas as sextas-feiras desse “ano maldito”, estava chovendo.
Pensava excitada na “grande transformação” que faria amanhã quando, novamente, viu a sua imagem refletida. Dessa vez no vidro embaçado do ônibus.
Ajeitou os fones do seu MP4 no ouvido e continuou olhando como se a imagem fosse lhe revelar...
Chegou a cochilar e sonhar com o Freddy Kruegger dizendo que a resposta estava nela mesma.
Júlia, que sempre teve medo do filme “A hora do pesadelo”, achou que aquilo era algum tipo de mensagem.
Despertou num salto e recomeçou a relembrar sua vida para “tentar se livrar da maldição”.
Lembrou-se de se sentir triste pela infertilidade do marido e pela “burrocracia” para adotar uma criança.
Isso a magoou, mas... Tinha esperanças...
Chegou a casa e agiu como sempre: programada!
No sábado, ao invés de se sentir cansada, acordou mais cedo e fez o que deveria fazer horas mais tarde e foi mudar seu visual!
Quando chegou ao salão, já tinha feito tudo o que era esperado para um sábado.
Passou horas se olhando e pensando no que queria mudar na sua aparência, mas sentia-se desanimada, como se fosse mais confortável ficar no “anonimato”, como se não quisesse chamar a atenção.
Quando chegou a sua vez de ser atendida, desistiu e voltou para casa mais desanimada do que antes.
Mal chegou em casa e já começou a lavar um pilha de louça na pia.
Fez um enorme “balde” de pipocas e sentou no sofá para “jiboiar” e não prestar a atenção na programação da TV aberta.
Passou o dia assim, como se estivesse doente, mas apenas o desânimo de sempre tomava conta de tudo e a impedia de seguir em frente.
Já tinha chegado há horas e seu marido nem tinha notado a sua presença.
Talvez fosse isso que a incomodasse tanto: Passar despercebida!
Mas como mudar essa situação confortável?
No domingo Júlia foi ao mercadinho da esquina, comprou um garrafão de vinho e começou a se embebedar logo depois do almoço. Antes do anoitecer já estava dormindo no sofá.
Na segunda-feira, seu chefe a chamou no escritório logo assim que chegou para informar que seria promovida e que teria que treinar uma nova funcionária para a sua função.
A euforia de ser promovida tinha sido destruída pela obrigação de socializar com alguém desconhecido.
Júlia era falante, comunicativa, mas teria que conviver com alguém. Provavelmente teria que conversar mais do que instruir sobre o trabalho e isso era muito complicado para ela.
Júlia conheceu sua tutelada e a achou extremamente bonita, apesar do uniforme. Começou a ensiná-la como conferir o estoque e dar o “confere” nas notas com o carimbo.
Ângela anotava tudo em um caderninho e observava cada movimento de Júlia.
Nas semanas que se passaram Júlia se sentia poderosa, quase uma deusa, uma pessoa que detinha informações, poder...
Na última sexta-feira de treinamento de Ângela, quando ela se sentia confortável para exercer a função, Ângela resolveu convidar Júlia para comemorar em uma pizzaria perto da firma.
Júlia tentou recusar, mas Ângela não aceitou nenhuma desculpa como recusa.
Pediram dois chopes, uma pizza média cortada à francesa e começaram a conversar – coisa que Júlia temia muito.
- Por que você não tem vaidade alguma? – pergunta Ângela.
Júlia engole um gole enorme de bebida e responde:
- Quem foi que te disse isso?
- Ninguém, basta olhar para você. Passei semanas com você e sempre estava do mesmo jeito.
- Os anos pesam, a vida passa.
- Não acredito nisso! Você é mais nova que minha sogra que fez um implante de silicone nos seios e diz que ainda tem muito que viver, embora isso deixe meu esposo sem graça.
Júlia olha em volta e percebe muitos olhares masculinos para a mesa das duas e se sente desconfortável.
- Acho que é melhor irmos embora, meu marido pode estranhar a demora – disfarça Júlia, para não pensar sobre a pergunta da amiga.
Júlia chega em casa e encontra o marido dormindo, sem nem mesmo notar ou se preocupar com sua demora.
Liga o computador e vê o histórico dos sites visitados e percebe que “seu amado” esteve deveras ocupado com mulheres mais interessantes.
Júlia nem se importa mais.
Aliás, nada mais importa.
Na segunda-feira, Júlia assume o cargo de compradora da loja.
Era uns dos cargos mais importantes.
Agora tinha que lidar com bajuladores, pessoas venais e outros tipos insuportáveis, mas ela era uma rocha, uma pessoa confiável, incorruptível, tinha valor!
Só tinha uma coisa que Júlia não conseguia lidar: A amizade que Ângela tinha por ela.
Ângela a procurava no almoço e em qualquer hora vaga que tivesse.
A convidava para festas, chopes ou qualquer coisa!
Júlia gentilmente arrumava uma desculpa para não participar do mundo de Ângela.
Os dias foram se passando e final do ano chegando e pressão sobre Júlia foi maior do que ela poderia agüentar e, enquanto atendia um vendedor, Júlia desmaiou.
A empresa mantinha um plano de assistência ao empregado, uma ambulância foi chamada e Ângela acompanhou Júlia até o hospital e não a deixou só em nenhum instante – abandou suas funções para fazer isso, quando mais ninguém queria.
Uma noite no hospital e uma triste revelação: Júlia estava condenada!
Seus dias estavam contados: podiam ser dias, horas, meses ou anos, mas era o fim!
Ângela, que dissera ser irmã de Júlia, sabia disso, mas não conseguira falar com ninguém da verdadeira família dela e não achava meios de transmitir tal informação.
Pediu uma semana de licença para ficar com Júlia no hospital e também para garantir que ninguém lhe contaria “a novidade”. Todos os dias perguntava ao médico que tratava da amiga se as chances dela não tinham aumentado, mas as notícias eram as piores possíveis.
Enquanto estava no hospital com Júlia, Ângela tentava animá-la, mas parece que a doença pegou realmente Júlia com todas as suas forças.
No último dia, Ângela tinha decidido contar a Júlia sobre sua doença, entretanto, percebeu que a amiga era depressiva e que isso poderia se tornar mais um transtorno em sua vida.
Mas o que fazer?
Júlia certamente precisaria de acompanhamento médico e a “sua farsa” não podia durar para sempre.
Ao chegarem à casa de Júlia, Ângela decidiu contar-lhe sobre a sua doença e sobre o seu pouco tempo de vida.
Júlia parecia já esperar por algo desse tipo. Não que levasse uma vida desregrada, mas como se soubesse que esse seria o seu fim.
Ângela foi para casa num desanimo de dar dó.
Na segunda-feira, ao chegar ao trabalho, teve a maior surpresa ao saber que Júlia voltara ao trabalho e surpresa ainda maior ao reencontrá-la: Júlia estava com um lindo corte de cabelo, pintou-os de vermelho, tinhas as unhas dos pés e das mãos cuidadosamente feitas e estava bem maquiada, como se isso fosse sempre normal.
Ângela foi conversar com a amiga que a convidou para beber algo depois do trabalho.
Júlia estava mesmo radiante!
Era como se a notícia do fim de seu eterno sofrimento a tivesse deixado mais tranqüila.
Foram 3 meses em que Júlia fumou, bebeu, riu e se divertiu mais que em toda a sua miserável vida.

Suplicas de uma ilusão




Em súplicas de amor eterno dormi;
Despertando envolta em sedas e diamantes falsos,
Cujas promessas o brilho não mantiveram.
Sonhos que não se concretizaram,
Esperanças que se perderam
Na falsa ilusão de que tudo vai se ajeitar.
Apenas o pó das lembranças não se perdeu no tempo.
E entre decorações de azul em branco
O desejo se perdeu...
Ensina-me a salvar o que se quer salvo,
Traga-me a luz de volta aos meus olhos,
Diga-me que nem tudo foi em vão
E faça bater, de novo, meu coração.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Uma noite em 67




Todos os domingos eu tiro para assistir filmes e "jiboiar" no sofá.
Semana passada assisti o filme "Uma noite em 67". Mais do que um filme, é um documentário sobre o Festival da Virada da TV Record.
Um misto de nostalgia e saudades me levaram a fazer uma breve pesquisa sobre os festivais que começaram em 1965 e deixaram de ser realizados em 1985.
Os festivais de música popular brasileira transbordavam cultura e intelectualidade, porém, sem deixar de absorver o novo.
Realmente acho que os festivais incentivam jovens a ouvirem mais a nossa MPB e é realmente uma pena que as nossas emissoras de TV achem mais interessante produzirem reality shows do que incentivarem a cultura.
Eu cheguei a acompanhar 4 festivais produzidos pela TV Globo: MPB 80, MPB Shell 81 e 82 e o Festival dos Festivais em 1985.
Foi, inclusive, no festival de 1980 que passei a a ter contato com a música do grande menestrel Oswaldo Montenegro. 
Primeiro me apaixonei pela sua interpretação, ao lado de Mongol, na música Agonia, de sua autoria, depois comprei o disco do festival e depois todos os outros discos, CDs, DVDs e tudo mais que ele produziu.
Foi nesse festival que surgiu a Sandra de Sá e o Jessé.
É assim que se leva cultura para os lares e não "espiando" quem vai ser a "bunda da vez".
Eu tenho achado o mundo um tanto quanto vazio, pois o jovem hoje não é estimulado a pensar, nem quando ouve música!
Meu filho me diria: "Mãe, música é para divertir e não para pensar!"
Mas eu fico realmente embasbacada quando ouço uma música do Gabriel O Pensador. O cara é simplesmente um gênio!
Alguém toca o Gabriel no horário comercial de uma rádio?
Eu tenho ouvido rádio quando estou na casa da minha mãe e tudo que ouço é um monte de funk e axé, um punhado de música idiota de rostinhos bonitinhos e mais nada!
Está certo que eu, na idade do meu filho, não era essa pessoa que transpirava cultura por todos os poros, mas graças aos festivais eu tinha o meu momento.
Foi também graças aos festivais que eu aprendi a tocar violão!
Graças às aulas de violão que comecei a me juntar com um pessoal que tocava e cantava.
E graças a isso tudo que comecei a escrever, compor e a pensar.
Entendem onde eu quero chegar?
Eu não sou lá uma escritora brilhante, mas eu tenho a necessidade de me manifestar, de pensar!
É realmente lamentável só ter programas inteligentes fora do horário comercial ou pela TV por assinatura!
Gostaria muito que alguma emissora de televisão ressuscitasse o festival de música popular brasileira, mesmo que timidamente, para que os nossos jovens pensem em uma outra oportunidade diferente de prestar teste para a Malhação ou para um reality show qualquer!
Deixo para vocês a música campeã em 1967: Ponteio.

video

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Andorinha, andorinha - Manuel Bandeira




"Andorinha, andorinha lá fora esta cantando:
-Passei o dia a-toa, a-toa.
Andorinha minha canção é mais triste:
-Passei a vida a-toa, a-toa."

Amor







Dizer que não te amo,
Mentira.
Desejar que te ame com antes,
Impossível.
Esperar que eu esqueça o passado,
Ilusão.
Com os tijolos do passado
Construí meu presente,
Destruí meu futuro.
Dos arrependimentos joguei fora as lamúrias,
Chamei para mim os defeitos,
Deixei a vida passar...

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Em pedaços




Todas as noites me recolho
Em pedaços,
Pequenos pedaços espalhados
Pelos cantos.
Na escuridão me recomponho e
Amanheço.
Para novamente me repartir
Aos milhares.
Cada dia, ano após ano
Me desfaço.
Me reinicio e continuo
A me recriar.
Cada vez que me recrio perco um pedaço
Da minha alma.
Que se perde escondida na escuridão
Da noite.
A cada dia amanheço
Diferente.
E a cada pedaço que falta
Me faz falta.
E todos os dias me torno
Mais mecânica.
Menos humana, menos sensível e
Em pedaços.

Adrenalina vicia?




Eu estava assistindo um programa na televisão agora pouco que mostrava uma repórter fazendo um passeio que levava 40 minutos de caminha íngreme, depois uma descida em um paredão, fazendo rapel, depois entrava em uma toca, que eles apelidaram de "toca do tatu", que era extremamente estreita.
Isso tudo para ver uma linda paisagem.
Chegou, olhou e depois teve que fazer o mesmo caminho na volta e ficou toda suja.
Agora eu pergunto: - Isso é passeio?
Passear deveria ser algo prazeroso, mas ficar com dor nas pernas, braço arranhado e fedendo a suor, não causa prazer algum.
Eu vi nesse "passeio", pelo menos, vinte possibilidades de sofrer um acidente!
Morrer escalando uma montanha e a família não poder nem sequer enterrar o corpo não tem graça nenhuma!
Para que subir na montanha mais alta do mundo?
O cara sobe, vai ficando sem ar e, normalmente morre alguém!
A gente fica olhando aquelas vídeos onde o cara aparece tremendo, cheio de gelo, com falta de ar, quase não conseguindo falar e fica pensando no que é que leva uma pessoa a fazer uma coisa dessas.
Adrenalina? Nada, masoquismo mesmo!
Será que o salário é tão bom assim que a pessoa se esquece do instinto de sobrevivência?
Dias desses estava fazendo um passeio por uma praia, quando meu marido viu um caminho entre as pedras e o mar e foi na direção dela, achando que euzinha ia acompanhar. Ele foi andando na direção da pedra e eu fiquei olhando as ondas baterem e molharem ela todinha e fiquei aliviada quando vi que tinha um posto dos bombeiros para resgatá-lo.
Lógico que quando ele percebeu que eu não estava mais do lado dele, voltou e veio me perguntar por que não fui com ele.
Eu acho que mesmo depois de 20 anos ele ainda não me conhece direito, pois imaginar que eu ia me aventurar a cair e me ralar toda numa pedra toda molhada e cheia de nimbo é, no mínimo utopia.
E se depois de escorregar, me ralar eu ainda caísse no meio do mar, perto das pedras e batesse a cabeça?
No mínimo eu ia morrer!
Depois ele viu uma placa de trilha ecológica e achou que eu ia!
Entrar numa trilha, no meio do mato para ser picado por um monte de mosquitos só para chegar a um lugar qualquer que não vou achar nem lindo, nem maravilhoso porque estou cansada e picada de mosquitos por todos os lados, isso, certamente não é uma coisa que eu faria.
Eu não acho nem mesmo o meu quintal seguro!
Outro dia fui regar meus vasos e uma aranha me picou, agora imaginem quantas aranhas e insetos diferentes podem me picar no meio do mato!
Sem contar que eu sou uma pessoa que tem alergia a tudo!
Volta e meio tem gente perdida nesses passeios ecológicos e que muitas vezes só são encontradas por causa do celular.
Como o meu é pai de santo, só recebe, ficaria sequinha até alguém me achar.
Ora, bolas! Eu já moro no Rio de Janeiro. Viver no Rio já é uma aventura: A gente tem abaixar quando tem tiroteio, desviar de bala perdida e correr de assaltante, agora para me divertir vou me esforçar mais ainda.
"Ah! O que vale é a adrenalina!"
Adrenalina é quando tenho que ir da minha casa até a casa de minha mãe, pois pego um maldito de um ônibus que não passa, acontece, sigo pela a Avenida Brasil inteirinha com medo que algum maluco tente incendiar ou assaltar o ônibus, desço na Central do Brasil, fico assustada com cada pivete e mendigo que passa por mim, espero pelo menos 40 minutos para pegar o outro ônibus, depois fico olhando para todos os lados com medo que alguém resolva assaltar ou colocar fogo no ônibus por mais 1 hora!
Levando em consideração que vou sempre na casa de minha mãe, já tenho aventuras demais na minha vida.



quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Preconceito na Zona Sul é coisa "normal"








Fonte: Folha Online
Policiais da 14ª DP (Leblon) do Rio prenderam na manhã desta terça-feira um bacharel em direito sob suspeita de preconceito racial. Segundo a Polícia Civil, João Marcos Aguiar Gondim Crespo, 26, utilizava redes sociais para expor opiniões preconceituosas. O acusado negou as acusações e vai responder pelo crime em liberdade.
O cara é a Barbie da juventude Hitlerista
“Ele se coloca como uma pessoa que mora num lugar afortunado de maneira pejorativa com as demais pessoas”, afirmou o delegado assistente da 14ª DP, Alessandro Thiers.
Na casa do bacharel, próximo à lagoa Rodrigo de Freitas (zona sul), a polícia encontrou bonecos do líder nazista Adolf Hitler. Crespo foi autuado pelo crime de preconceito ocorrido através de “incitação a discriminação de pessoas em razão de sua origem, condições sociais e procedência, agravado pela divulgação na internet”.
A polícia chegou ao suspeito após investigação do setor de inteligência da delegacia. Além dos bonecos com símbolos nazistas, foram apreendidos um laptop e um computador na casa do acusado.
Em uma das mensagens postadas do site de relacionamentos Facebook, Crespo, que atualmente cursa faculdade particular de Educação Física, diz que “o mau humor de algumas pessoas está além de seus bairros de origem, em renegar sua genética, cabelo ruim e baixo nível sociocultural”.
“Impressionante o mau humor e a inveja de pessoas que moram mal e devem achar um grande programa visitar a árvore de Natal da Lagoa.. que fica a apenas um minuto da minha casa e que eu nunca perdi nem 10 segundos olhando”, disse em uma das mensagens.
Para o delegado “o teor das mensagens é pesado e bastante pejorativo –inclusive com o símbolo da cidade, que é a árvore de Natal da Lagoa”. Em depoimento na delegacia, Crespo admitiu ter escrito as mensagens, mas disse que se tratava “apenas de uma brincadeira”.
O estudante afirmou que os bonecos apreendidos são do seu pai, que é historiador. Ele afirmou não ser preconceituoso, pois “tem família miscigenada e é deficiente das pernas, pois operou quando criança e não tem desenvolvimento igual ao resto do corpo”. Além disso, ele disse que “foi educado desde pequeno a respeitar as diferenças”.
“O recado que vai para as pessoas que utilizam esse tipo de rede social como Orkut, Facebook é que elas devem ter responsabilidade com a manifestação de pensamentos, de ideias. Embora a manifestação de pensamento seja livre, ela não é ilimitada. A pessoa tem que ter respeito com os outros. Pretendo agir em parceria com a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática e investigar casos semelhantes”, afirmou o delegado.



É claro que morar na Zona Sul do Rio de Janeiro é privilégio para poucos e quem diz que jamais moraria lá ou está mentindo ou com despeito.
Mas morar em áreas privilegiadas não dá direito ao morador de humilhar quem não é tão favorecido assim.
É certo que a Árvore de Natal da Bradesco Seguros virou um ícone do Natal em nossa cidade e todos querem visitar.
Lógico que vem visitantes e turistas de todas as partes e isso traz vantagem financeiras para todos, pois se a pessoa vem da Zona Norte, Zona Oeste ou Centro, gasta gasolina ou condução. Se fica esperando até que a árvore esteja acesa, acaba consumindo algo, enfim, todos ganham.
É muito interessante ir a uma rede social qualquer e fazer pouco das pessoas que visitam o monumento e depois achar  que tem que exigir mais verba para a despoluição da Lagoa.




Se as pessoas vão até a Lagoa Rodrigo de Freitas nessa época é por causa da Árvore da Bradesco Seguros!
Alguém iria se deslocar para lá se não fosse ela?
Claro que não!
Minha prima morava em frente a Lagoa e não podia abrir as janelas do apartamento, pois o cheiro dos peixes mortos era insuportável!
Até mesmo com as janelas fechadas era necessário usar odorizadores de ambientes pela casa toda.



Para quem pensa que a foto é antiga, essa foi tirada no dia 6 de Março de 2010.
Sem despeito nenhum, posso afirmar que os peixes que vejo no córrego atrás da minha casa estão vivos e nadando alegremente, embora eu não viva no lugar onde o IPTU é um dos mais caros da cidade.

Vamos considerar que a Bradesco Seguros não tenha gostado muito da polêmica em cima da árvore e resolva montá-la em outro local no próximo. Quem sai perdendo com isso é o bairro que perderá o símbolo e todo o lucro que vem junto.
Se deixar de dar lucro, o local acabará recebendo menos atenção das autoridades e menos verba para a manutenção.



Outra coisa que me deixou bastante irritada, foi ouvir de um morador de Copacabana, que o Monobloco parou de desfilar lá a pedido da associação de moradores, pois, segundo ele, fazia muita "bagunça" por lá.
Até onde eu sei, carnaval é bagunça!
E, se não fosse a revitalização do carnaval de rua por um movimento de blocos, como o Monobloco, o carnaval no Rio de Janeiro se restringia à Marques de Sapucai e alguns clubes que promoviam bailes onde, normalmente acabavam em brigas ou orgias.
A conclusão que chego é que quem não gosta de agitação, carnaval, barulho e trânsito na porta, assim como eu, deveria fazer o mesmo que fiz: mudar para o meio do mato e parar de reclamar e tentar atrapalhar a alegria de quem gosta de movimento e alegria!

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Anjo maldito




O monstro que habita teu corpo
Tomou conta da minha alma.
Devorou meus sonhos,
Minha dignidade,
Minha vontade de viver.

O monstro que habita teu corpo
Realizou-se em mim.
Transformou-me em um ser abjeto,
Isolou-me de mim.

O monstro que habita o teu corpo
Não pode sequer me ver feliz,
Ou me fazer feliz,
Nem mesmo deixar que me façam feliz.

O monstro que habita teu corpo
Iludiu-me, destruiu minha alma,
Derrotou-me, feriu meu corpo.
Nada mais há senão infelicidade e tristeza.

O monstro que habita o teu corpo
Sentirá minha falta quando eu me for.
Entretanto terá a certeza de que o sangue que corre em tuas mãos
Corriam em minhas veias.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Conto de natal



Manoel e Joaquim só se encontravam 1 vez por ano: No Natal.
Aliás, foi assim que seus filhos Ana Paula e Marcos se conheceram: Em um Natal em um hotel numa cidadezinha do interior de Minas Gerais.
Tanto Joaquim, quanto Manoel eram filhos de imigrantes e não tinham família no Brasil, além de mulher e filhos e, por isso, passavam seus Natais em um hotel.
As duas famílias se encontravam apenas uma vez por ano e isso não impediu que seus filhos se apaixonassem e viessem a se casar.
Como com o passar do tempo a família dos dois cresceu, os Natais deixaram de ser passados em hotéis frios e, como os dois tinham algo em comum, passaram a dividir entre os dois a tarefa de celebrar a festa.
Todas as vezes que a festa era realizada por um, o outro criticava absolutamente tudo.
Esse ano não seria diferente, os dois iam se encontrar no Natal, entretanto, o encontro não seria na casa de nenhum dos dois, seria na casa recém construída por Ana Paula e Marcos.
Seria uma grande tarefa para Ana, pois cada um dos dois tinha dois irmãos que tinham também sua família, mas ela se sentia feliz, pois entre os seis foram os únicos a conseguir a sua casa própria.
O fato de o casal ter conseguido construir a sua casa e seus pais aceitarem a comemorar o Natal com eles, causou um enorme desconforto em seus irmãos, pois ficou parecendo que os dois queriam se vangloriar do feito e “esfregar” essa vitória na cara deles.
Lógico que todos confirmaram a presença, afinal, todos gostariam de criticar cada cantinho da casa e falar que “se fosse ele, faria de outra maneira”, mesmo que nenhum deles tenha conseguido fazer.
A casa foi arrumada com antecedência, o cardápio foi preparado com calma e as bebidas colocadas para gelar, tudo meticulosamente pensado, para que ninguém pudesse falar mal da primeira festa de Natal deles.
Eles não sabiam, mas aquele seria o momento de ruptura da família, pois enquanto os Natais eram divididos entre os dois patriarcas, ninguém se incomodava, mas ver um dos irmãos comandar uma festa tão importante como essa incomodou a todos.
A festa correu cheia de sorrisos amarelos, abraços forçados e uma união de aparências.
Nos Natais que se seguiram, os patriarcas voltaram a comandar a festa, entretanto apenas Ana Paula e Marcos participaram de todos, seus irmãos sentiram-se desobrigados a participar e só iam quando “não tinham lugar melhor para ir”.