quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Abaixo o romantismo



Na terça-feira estava assistindo uma matéria sobre violência doméstica e estava refletindo sobre uma coisa que tem me deixado intrigada há tempos e, de repente algo que uma das entrevistadas falou me chamou a atenção e voltei a refletir sobre isso.
Todo homem que mata a mulher costuma afirmar a sua defesa afirmando legítima defesa. Tentado provar que a mulher atacou primeiro.
Será realmente que todas as mulheres são realmente nervosas ou sofrem de problemas mentais?
Ou será que o homem quando encontra uma mulher que não consegue controlar tenta destruí-la?
Um fato é certo: As pessoas não mudam, apenas mascaram uma pseudo mudança.
E existem alguns seres que circulam entre nós que são chamados sociopatas.
A melhor definição que encontrei para sociopata foi dada ontem por uma entrevistada: “Ele é o cara”.
Ele jamais perde o controle na frete de outras pessoas, mesmo que o forcem. Está sempre pronto para ajudar quem quer que seja e é extremamente educado. Entretanto não tem a mesma atitude em relação à sua família.
O seu principal alvo é o cônjuge. Ele é capaz de provocar o suicídio de seu cônjuge!
O sociopata é uma pessoa extremamente inteligente, seu QI sempre é acima da média.
Ele só se importa com o que ele quer. Não importa quem tenha que destruir para isso.
Quem vive com um sociopata vive sempre no limite e se “estourar” é considerada louco, nervoso, doente perante todos que os conhecem. Ninguém, absolutamente ninguém vai acreditar que ele é o culpado, nem a sua mãe.
Encontramos mais sociopatas do sexo masculino do que do sexo feminino por simples fato: oportunidade.
Homens passam por violência doméstica?
Claro que passam, até conheci um caso que a mulher mandou o marido para o hospital.
Mas o que estaria acontecendo com nossa sociedade para que esses casos se tornem cada vez mais comuns?
Algumas pessoas podem até se iludir tentando afirmar que os casos de violência doméstica não aumentaram e que a diferença é que hoje tem mais divulgação, entretanto, os números mostram justamente o contrário. O número de mulheres agredidas aumentou e o fato vem ocorrendo com mulheres cada dia mais jovem.
O que ocorreu em nossa sociedade para disparar esse gatilho?
As mulheres há alguns anos não tinham direitos, a maioria não tinham sequer estudo. Mudavam de dono ao se casarem. A mulher que não se casava não tinha chance alguma.
Poucas foram as que se rebelaram e mesmo as que fizeram, só tiveram êxito porque foram apoiadas por homens que discordavam da situação.
As mulheres ganharam o direito ao voto recentemente. As solteiras e viúvas, isto é, as que não tinham “dono” começaram a votar em 1931, apenas em 1932 todas as mulheres passaram a ter direito ao voto. Isso certamente ocorreu por algum interesse político escuso, caso contrário nada mudaria.
Todos falam muito da escravidão e da situação do negro na sociedade atual, mas poucos analisam a situação feminina.
Mulheres continuam escravas até hoje! Mesmo as que trabalham fora, pois todas as situações que envolvem a casa e os filhos devem ser resolvidas por elas. Quantos homens vão à reunião de pais?
A verdade é que, perante a lei, a mulher adquiriu muitos direitos, mas, perante a sociedade a mulher continua sendo propriedade da casa e da família.
A grande diferença, que para mim é o que define o aumento da violência doméstica, é que hoje a mulher pertence ao lar e a família e não diretamente ao homem. Isso faz com que se sintam excluídos, diminuídos em sua masculinidade e, por isso, tenham que subjugá-la.
Estamos vivendo em uma sociedade onde o casamento virou um “cabo-de-guerra” onde quem não possui é possuído.
Na sociedade atual, onde os jovens começam a sua vida sexual cada dia mais cedo, estamos presenciando crimes passionais com mais freqüência, pois se não possuem mais a lei para a lei para apoio, usam a força.
A maioria dos casamentos dura, em média 10 anos, tempo suficiente para que o sentimento de posse passe a fazer parte do dia-a-dia do casal.
Alguns homens, ao perceberem que perderam “titularidade” de sua esposa, tenta destruir a estrutura familiar, exigindo a guarda compartilhada.
Poucos são os que realmente desejam a companhia dos filhos e os que querem realmente fazer parte da sua educação, a maioria quer, realmente, punir a ex com a ausência dos filhos.
Poucas são as mulheres que conseguem, na sociedade de hoje, se libertar da escravidão e mesmo as que conseguem são tratadas com pejorativos, nunca com elogios.
O homem sempre tem “um lado bom” e ninguém analisa os motivos que fizeram aquela mulher pedir a separação e, se recomeça a vida com alguém de situação financeira pior, ainda é chamada de burra, pois o ex podia destruí-la psicologicamente, mas pagava as contas.
Acredito em um mundo em que homens e mulheres possam conviver pacificamente, mas para esse mundo existir devemos esquecer as relações conjugais e existir mundos individuais onde cada um não abre mão de sua vida, em detrimento do outro.
Teremos um mundo onde o romantismo será banido, pois o romantismo é a principal arma masculina para subjugar a mulher.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Manifestação de professores acaba em pancadaria



Ano que vem teremos eleições e essa imagem ficará gravada em minha mente quando for votar!
Essa e muitas outras que não poderão passar em branco, como por exemplo, a piada que está sendo a legalização do transporte alternativo, a falta de atendimento nos hospitais públicos, a vergonha que é o salário dos médicos, policiais e bombeiros...
Todos estão discutindo com quem deve ficar os royalties do petróleo do pré-sal e eu me pergunto em que mãos vão ficar na realidade.
Quando a loteria esportiva foi criada disseram que o dinheiro arrecadado seria usado na saúde, mas a loteria foi criada, o dinheiro arrecadado e a saúde continua sem ver um centavo da coisa.
Criaram a CPMF com a mesma desculpa e nada!
Quando quiseram acabar com a CPMF, o governo alegou que o dinheiro que seria usado na saúde estava sendo usado para cobrir o rombo da previdência.
Rombo da previdência? Sim, pois tem mais gente recebendo do que pagando.
Será? Ou será que tem mais gente desviando do que pagando?
Se o salário que se paga nesse país já é uma vergonha, imaginem a aposentadoria!
Nem funcionário público está satisfeito nesse país!
Todos trabalham demais e estão endividados. Todos menos os políticos, estes estão endividados com o povo que acreditou neles.
O professor tem que ser respeitado, pois ser professor nesse país é sacerdócio!
Num país em que o funkeiro é mais respeitado do que o professor não poderá haver futuro, pois os funkeiros fizeram manifestações em frente a ALERJ e foram muito bem tratados e bem recebidos.
Funk, agora é cultura. Será que algum deles quer se tornar professor e ensinar isso em sala de aula?
Claro que não, pois passariam à condição de marginais e da próxima vez que fossem a ALERJ seriam recebidos com bombas de efeito moral.
Quero parabenizar aos nossos governantes, pois sinto orgulho de morar em um estado que recebe professores com bombas de efeito moral e funkeiros com festa!

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sábado, 12 de setembro de 2009

As coisas não mudam... Nós mudamos


Talvez o mundo mude amanhã. Mas isso não é provável. As mudanças são lentas, apesar de toda a corrida que a gente enfrenta todos os dias.
Ainda assim, seu mundo pode mudar de modo impressionante, nas próximas horas ou minutos, ou depois de ouvir esse texto!
Porque tudo o que você está vendo, sentindo e tudo ao que você está reagindo, é porque existe um mundo real e um mundo "filtrado".
A forma como vemos o mundo é definida por uma palavra grega chamada de "paradigma". Ela mostra que todas as grandes revoluções aconteceram devido a ruptura na forma de ver o mundo!
Todos nós filtramos o universo de acordo com nossas próprias expectativas, crenças e princípios.
Por isso, uma mesma cena pode comover uma pessoa e não causar absolutamente nada em outra.
Cada uma delas teve uma diferente reação àquilo que viu com um filtro mental diferente.


Tem uma historinha que explica o que estou querendo dizer: se passou no metrô de Nova York.
As pessoas estavam calmamente sentadas, lendo jornais, divagando...
Era uma cena calma, tranquila.
De repente um homem entrou no vagão com os filhos.
As crianças faziam algazarra e se comportavam mal e o clima mudou na hora!
O homem sentou e fechou os olhos, aparentemente ignorando a situação.
As crianças corriam de um lado para o outro, atiravam coisas incomodando a todos.
Mesmo assim o homem não fazia nada.
Ficou impossível evitar a irritação. Os passageiros não conseguiam acreditar que ele pudesse ser tão insensível!


A certa altura, um passageiro, tentando manter a calma, virou para ele e disse:
- Senhor, seus filhos estão perturbando muito. Será que não poderia dar um jeito neles?
O homem olhou e disse calmamente:
- Acho que o senhor tem razão. Eu deveria mesmo fazer alguma coisa. Acabamos de sair do hospital, onde a mãe deles morreu há uma hora. Eu não sei o que pensar, e parece que eles também não conseguem lidar com isso.
Podem imaginar o todos sentiram naquele momento?
O paradigma mudou!
De repente, todos que estavam ali passaram a ver a situação de um modo diferente.
E a irritação ali desapareceu.
E os sentimentos de compaixão e solidariedade fluíram.


O mundo não mudou, não é?


Mas até você mudou, ao ouvir essas palavras.
Mudou de paradigma, e isso causou uma reação diferente.
Você e eu nunca vemos a realidade total. Vemos apenas uma parcela dela, que selecionamos, em grande parte inconscientemente.


A única prisão real que a gente tem está em cima dos nossos ombros.
E cada um tem uma chave-mestra.
As coisas não mudam; nós mudamos!


Aldo Novak

O gato sou eu - Fernando Sabino



-
Aí então, eu sonhei que tinha acordado. Mas continuei dormindo.

- Continuou dormindo.

- Continuei dormindo e sonhando. Sonhei que estava acordado na cama, e ao lado, sentado na cadeira, tinha um gato me olhando.

- Que espécie de gato?

- Não sei. Um gato. Não entendo de gatos. Acho que era um gato preto. Só sei que me olhava com aqueles olhos parados de gato.

- A que você associa essa imagem?

- Não era uma imagem: era um gato.

- Estou dizendo a imagem do seu sonho: essa criação onírica simboliza uma profunda vivência interior. É uma projeção do seu subconsciente. A que você associa ela?

- Associo a um gato.

- Eu sei: aparentemente se trata de um gato. Mas na realidade o gato, no caso, é a representação de alguém.
Alguém que lhe inspira um temor reverencial. Alguém que a seu ver está buscando desvendar o seu mais íntimo segredo. Quem pode ser essa alguém, me diga? Você deitado aí nesse divã como na cama em seu sonho, eu aqui nesta poltrona, o gato na cadeira… Evidentemente esse gato sou eu.

- Essa não, doutor. A ser alguém, neste caso o gato sou eu.

- Você está enganado. E o mais curioso é que, ao mesmo tempo, está certo, certíssimo, no sentido em que tudo o que se sonha não passa de uma projeção do eu.

- Uma projeção do senhor?

- Não: uma projeção do
eu. O eu, no caso, é você.

- Eu sou o senhor? Qual é, doutor? Está querendo me confundir a cabeça ainda mais? Eu sou eu, o senhor é o senhor, e estamos conversados.

- Eu sei: eu sou eu, você é você. Nem eu iria pôr em dúvida uma coisa dessas, mais do que evidente. Não é isso que eu estou dizendo. Quando falo no eu, não estou falando em mim, por favor, entenda.

- Em quem o senhor está falando?

- Estou falando na individualidade do ser, que se projeta em símbolos oníricos. Dos quais o gato do seu sonho é um perfeito exemplo. E o papel que você atribui ao gato, de fiscalizá-lo o tempo todo, sem tirar os olhos de você, é o mesmo que atribui a mim. Por isso é que eu digo que o gato sou eu.

- Absolutamente. O senhor vai me desculpar, doutor, mas o gato sou eu, e disto não abro mão.

- Vamos analisar essa sua resistência em admitir que eu seja o gato.

- Então vamos começar pela sua insistência em querer ser o gato. Afinal de contas, de quem é o sonho: meu ou seu?

- Seu. Quanto a isto, não há a menor dúvida.

- Pois então? Sendo assim, não há também a menor dúvida de que o gato sou eu, não é mesmo?

- Aí é que você se engana. O gato é você, na
sua opinião. E sua opinião é suspeita, porque formulada pelo consciente. Ao passo que, no subconsciente, o gato é uma representação do que significo para você. Portanto, insisto em dizer: o gato sou eu.

- E eu insisto em dizer: não é.

- Sou.

- Não é. O senhor por favor saia do meu gato, que senão eu não volto mais aqui.

- Observe como inconscientemente você está rejeitando minha interferência na sua vida através de uma chantagem…

- Que é que há, doutor? Está me chamando de chantagista?

- É um modo de dizer. Não vai nisso nenhuma ofensa. Quero me referir à sua recusa de que eu participe de sua vida, mesmo num sonho, na forma de um gato.

- Pois se o gato sou eu! Daqui a pouco o senhor vai querer cobrar consulta até dentro do meu sonho.

- Olhe aí, não estou dizendo? Olhe a sua reação: isso é a sua maneira de me agredir. Não posso cobrar consulta dentro do seu sonho enquanto eu assumir nele a forma de um gato.

- Já disse que o gato sou eu!

- Sou eu!

- Ponha-se para fora do meu gato!

- Ponha-se para fora daqui!

- Sou eu!

- Eu!

- Eu! Eu!

- Eu! Eu! Eu!



Fernando Sabino,

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Não há mais regras para baile funk?



Jornal O Globo:
RIO - A Assembléia Legislativa revogou na noite desta terça-feira a lei que estabelecia regras mais rígidas para a realização de bailes funk e raves que para outros tipos de evento musical no estado. A votação foi simbólica e parte de um acordo entre os deputados, após a realização de vários debates na Assembléia com o intuito de reduzir a discriminação contra o ritmo. Com as galerias e a escadaria do Palácio Tiradentes lotados de frequentadores dos bailes, também foi aprovado o projeto que torna o ritmo patrimônio cultural. Os projetos são de autoria do deputado Marcelo Freixo (PSOL) em conjunto com os deputados Paulo Melo (PMDB) e Wagner Montes (PDT).
A votação desta terça-feira foi marcada na semana passada durante uma audiência pública sobre funk na ALERJ, que contou com a presença de músicos, políticos e acadêmicos. A lei que os parlamentares revogaram é de 2008, do ex-deputado Álvaro Lins, e criou regras que vão da necessidade de envio de documentos à Secretaria de Estado de Segurança Pública com detalhamento da expectativa de público, número de ingressos colocados à venda e área para estacionamento - com sua capacidade -, à necessidade de monitoramento de câmeras, presença de agentes femininos entre os seguranças e o limite de duração.
Para o dono do grupo Furacão 2000, Rômulo Costa, a lei é absurda, pois dá à polícia liberdade para impedir a diversão da juventude, como acontecia na época da ditadura com os bailes do movimento "Black Rio".
No mês passado, uma reunião entre a Associação dos Profissionais e Amigos do Funk (APAFunk) e o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio, resultou na promessa de uma nova conduta policial em relação ao funk. A secretária estadual de Educação, Teresa Porto, afirmou que pretende levar o funk para a realização de um trabalho pedagógico nas escolas. Para ela, o ritmo pode ser usado para a construção de letras positivas, que abordem temas importantes para a sociedade.
Site Vote Brasil

Deputados revogam lei que proibia baile funk em comunidades
A lei revogada nesta terça era de autoria do deputado cassado Álvaro Lins, ex-chefe de polícia no governo de Rosinha Garotinho, e foi aprovada no dia 27 de maio de 2008.
Deputados estaduais do Rio aprovaram no início da noite desta terça-feira (1º) o projeto de lei que define o funk como movimento cultural. Os deputados também votaram nesta terça a favor da revogação da lei que impõe normas para a realização de eventos como raves e bailes funk em comunidades do Rio

A lei revogada nesta terça era de autoria do deputado cassado Álvaro Lins, ex-chefe de polícia no governo de Rosinha Garotinho, e foi aprovada no dia 27 de maio de 2008.

O projeto de lei aprovado será encaminhado para o governador Sérgio Cabral para que ele sancione a nova lei. Segundo a assessoria da Assembleia Legislativa do Rio, o projeto assegura a realização de manifestações próprias relacionadas ao funk, e diz que os assuntos relativos ao estilo sejam, prioritariamente, da competência de secretarias ou outros órgãos ligados à cultura.
Protesto

Centenas de funkeiros e admiradores do ritmo carioca ficaram reunidos em frente Alerj aguardando a votação dos deputados estaduais sobre a revogação da lei que cria normas para a realização de festas raves e bailes funks.

Grandes nomes não só do funk, mas também do samba, estão presentes nas escadarias da Alerj: Neguinho da Beija-Flor e Ivo Meirelles, que levou a bateria da Mangueira para o encontro. DJ Malboro e Rômulo Costa (fundador da Furacão 2000) comandam o movimento, enquanto MC Leonardo (presidente da Associação de Profissionais e Amigos do Funk) e MC Júnior animam mais de 200 pessoas que se aglomeraram em frente à Alerj.

"Acho que é o primeiro passo de uma grande vitória do funk no Rio. É a vitória do favelado, que está na luta. Tenho certeza de que vai ser revogada essa lei", disse Mariana Gomes, estudante da UFF e 'amiga do funk'.

Carolina Lauriano



A minha opinião:
O Sr Deputado que votou contra as regra de regulamentação dos bailes funks já morou ao lado de um?
Agora eu pergunto e o morador?
Eu morei 4 anos na General Belford, entre o Magnatas e o Garnier, dois clubes que promoviam o baile funk. Sexta-feira era no Garnier e domingo no Magnatas.
Na sexta-feira eu saia do trabalho e ia ao mercado fazer compras já aterrorizada com a possibilidade de atrasar e pegar o baile começando. Porque a verdade é que sem fiscalização, não tem policiamento e vai qualquer um, principalmente as pessoas mal intencionadas.
A rua em torno do clube ficava tomada apenas pelos freqüentadores, nenhum morador tinha coragem para sair de casa.
Eu disse casa? Melhor chamar de prisão, pois todas as casas tinham muros altos, com vidros nas bordas e grades por todos locais possíveis e imagináveis.
O barulho e a algazarra iam até o dia seguinte. Quando se conseguia dormir, já era hora de levantar.
Não tinha a quem reclamar. Qual cidadão de bem vai ligar para reclamar do barulho estando sujeito a levar um tiro?
Por falar em tiro, me lembrei dos bailes no Clube Magnatas. Quando eu me mudei o clube tinha sido interditado porque houve um tiroteio onde simplesmente 11 pessoas tinham sido baleadas. O mais impressionante foi o chefe da equipe de som que estava com um boné com um X em vermelho e acertaram o tiro bem no meio dele!
Era como se tivesse colocado um alvo na própria cabeça!
Mas a interdição não durou muito e os bailes voltara a acontecer, “afinal o povo tem que se divertir”.
Os bailes do clube Magnas eram os que mais me incomodavam porque morava na rua do clube e a música parecia que estava sendo tocada do meu aparelho de som no volume mais alto possível.
A gente podia fechar a janela (as portas nunca podia ficar abertas), podia colocar algodão nos ouvidos, que não adiantava.
Outro problema desse baile é que acontecia aos domingos. Pensam que eles se importavam se a gente tinha que trabalhar na segunda?
Nada. Ainda por cima, quando terminava o baile lá pelas 2 da matina, tinha queima de fogos!
É isso ai, meu caro deputado que votou contra as leis para os bailes funks: Eles promovem queima de fogos no final de alguns bailes!
A gente vê com freqüência moradores da zona sul reclamando do volume do som de alguns barzinhos, o pessoal que mora na Lapa reclamando, mas vocês já viram algum morador que resida perto de um baile funk reclamar?
Claro que não! Todos vivem sob o estigma do medo, da repressão.
Quando “eles” dizem que quem quer reprimir o baile funk é a polícia e que estão agindo igual ao tempo da ditadura, estão absolutamente certos, pois a população está acuada, com medo e não pode se manifestar contra.
Nos dias em que ocorrem os bailes, em média, 5 casas são furtadas, mas isso não aparece na estatística e sabem por quê?
Porque a população tem medo de se registrar queixa e acontecer coisa bem pior.
Eu arrumei as minhas malas depois que mataram duas pessoas no portão da minha casa, tive minha casa arrombada e meus pertences furtados e a minha paz roubada.
Cheguei a sofrer de síndrome de pânico quando morava lá.
Eu gostaria que os Srs. Deputados que voltaram contra a regulamentação dos bailes funks alugassem uma casa ao lado de um e passasse apenas um mês fazendo a sua avaliação.
Queria que sentissem o que o povo sofre na pele, antes de tomarem a sua decisão.
Se hoje eu escrevo essas coisas é porque estou longe o suficiente para fazer isso, mas as pessoas que estão vivendo o problema estão mudas não por vontade própria, mas porque temem por sua família.
Sr deputado, antes de julgar o funkeiro um discriminado, lembre que discriminado é o trabalhador que ganha o salário mínimo e não pode nem mesmo decidir se quer ou não o baile ao lado de sua residência.

Envelhecer



Invariavelmente, depois de certa idade, cada um de nós começa a sentir as marcas do tempo.
Difícil olhar para o espelho e não se achar velho quando os cabelos brancos estão em quantidade maior do que as flores no seu jardim numa tarde de primavera.
Os cabelos brancos seriam tirados de letras se junto com eles não viessem as rugas, as dores nas costas...
Perder a vitalidade e o viço, para uma mulher é a coisa mais terrível desse mundo e a única coisa que abranda o seu coração é sentir o frescor e a vitalidade dos filhos.
Ah! Os filhos!
A coisa mais maravilhosa que existe é ter filhos!
Quando somos jovens, nos roubam a disposição com seu choro durante a madrugada, nos deixam com olheiras imensas quando adoecem, mas nos devolvem cada minuto de felicidade com um sorrido!
Sentir-se velho é muito pior quando não podemos acompanhar uma criança crescer!
Cada vez que brincava com meu filho de luta me sentia mais jovem. Até o dia que “as brigas” começaram a resultar em braços e pernas quebrados.
A gente quando brinca com filho releva, diminui a força, tenta não machucar, mas para eles é como se fosse uma medida de força, querem ganhar.
Como crescem e perdem a noção de sua força e não medem esforços para ganhar...
Não brinco mais com meu filho, mas observo o seu desenvolvimento. Olhar para ele faz com que me sinta mais viva, me dá vontade de continuar, apesar de tudo.
Outro fator que denota que estamos envelhecendo é quando os amigos começar a morrer.
Quando perdemos um amigo que nivela idade conosco de enfarte ou derrame, começamos a pensar na funcionalidade do nosso próprio coração e de quanta cerveja já bebemos na vida.
A bebida e o cigarro entram na nossa vida quando começamos a pensar na responsabilidade da vida e começam a sair quando pensamos na responsabilidade de continuar vivendo.
As possibilidades que a vida oferece é muito grande e uma vida é muito pouco para viver.
Seria bom ter a certeza de poder voltar e aproveitar uma outra oportunidade, outra chance, mas como não temos essa certeza, melhor viver cada momento como se fosse o último.
Acredito que a vida tenha fases que invariavelmente todo mundo passa por elas. Não tem como fugir. Queremos ser tão diferentes de nossos pais, mas de uma forma ou de outra, seguimos seus passos.
Cada vez que observo uma nova ruga em meu rosto eu me sinto triste por estar perdendo mais do que a aparência, me sinto triste por estar perdendo a vitalidade e a esperança, mas, observando meu filho, sinto que deixei alguém para continuar meus passos, através de seu próprio caminho.
Envelhecer não é tão ruim quando nos espelhamos em alguém que respira juventude e aspira felicidade.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Epitáfio

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Desabafo de um bom marido - Luiz Fernando Veríssimo


Minha esposa e eu sempre andamos de mãos dadas. Se eu soltar, ela vai às compras.
Ela tem um liquidificador elétrico, uma torradeira elétrica, e uma máquina de fazer pão elétrica.
Então ela disse: ‘Nós temos muitos aparelhos, mas não temos lugar pra sentar’.
Daí, comprei pra ela uma cadeira elétrica.
Eu me casei com a ‘Sra. Certa’. Só não sabia que o primeiro nome dela era ‘Sempre’.
Já faz 18 meses que não falo com minha esposa. É que não gosto de interrompê-la.
Mas tenho que admitir, a nossa última briga foi culpa minha.
Ela perguntou: ‘O que tem na TV?’ E eu disse ‘Poeira’.
No começo Deus criou o mundo e descansou.
Então, Ele criou o homem e descansou.
Depois, criou a mulher. Desde então, nem Deus, nem o homem, nem o Mundo tiveram mais descanso.
Quando o nosso cortador de grama quebrou, minha mulher ficava sempre me dando a entender que eu deveria consertá-lo. Mas eu sempre acabava tendo outra coisa para cuidar antes, o caminhão, o carro, a pesca, sempre alguma coisa mais importante para mim.
Finalmente ela pensou num jeito esperto de me convencer.
Certo dia, ao chegar em casa, encontrei-a sentada na grama alta, ocupada em podá-la com uma tesourinha de costura. Eu olhei em silêncio por um tempo, me emocionei bastante e depois entrei em casa. Em alguns minutos eu voltei com uma escova de dentes e lhe entreguei.
‘- Quando você terminar de cortar a grama,’ eu disse, ‘você pode também varrer a calçada.’
Depois disso não me lembro de mais nada. Os médicos dizem que eu voltarei a andar, mas mancarei pelo resto da vida’.
‘O casamento é uma relação entre duas pessoas na qual uma está sempre certa e a outra é o marido…’


Luís Fernando Veríssimo




Depois de 18 anos de casada, eu teria uma versão feminina para esta do Veríssimo, mas não teria a sua genialidade, nem seu talento!


quarta-feira, 2 de setembro de 2009

O rei da favela



Jonas era muito novo quando a sua namorada engravidou.
Casou-se muito cedo e muito cedo se separou e voltou para a casa dos pais.
Seu pai trabalhava no departamento de obras e estava trabalhando na abertura de uma nova estrada para ligar dois bairros.
Estava se mudando para um lugar novo para começar uma vida nova.
Como se casou muito novo, tinha pouco estudo, dois filhos que ficaram com a esposa, resolveu montar um pequeno bar para ganhar a vida.
No começo era tudo muito difícil, pois havia poucas moradias, o bar servia basicamente aos trabalhadores da obra na estrada.
Os trabalhadores foram se mudando para o entorno da obra, pois, como toda obra governamental demora mais do que o necessário.
Com eles vieram sua família, amigos e um novo bairro foi se formando em torno de seu pequeno bar.
Jonas foi te tornando referência no local. Ouvia o morador quando falecia um parente, quando casais se separavam, passou a ser amigo da comunidade, alguém com quem podiam contar.
O seu bar prosperou e Jonas continuava lá trabalhando junto ao povo que aprendeu a amar.
Com o passar do tempo, as pessoas passaram a ter Jonas como referência, pois o seu enorme coração não podia ver uma pessoa passar dificuldades sem tentar ajudar.
Faltava dinheiro para gás? Pedia fiado para o Jonas.
A telha furou? Pede ajuda para o Jonas que ele vai falar com um e com outro e, além de comprar a telha, ainda vai arrumar alguém que faça o serviço na “camaradagem”.
Jonas era respeitado por todos os moradores, dos mais pobres aos mais abastados.
Nunca foi intenção de Jonas, mas ele acabou sendo o “rei do bairro”.
A comunidade se formou sem nenhum planejamento das autoridades responsáveis, portanto, era Jonas que resolvia todos os problemas locais. Virou um verdadeiro líder.
A certa altura, a comunidade agradecida ao amigo resolveu homenageá-lo em seu aniversário.
Uma imensa festa foi organizada em um sítio local. Nenhum detalhe foi esquecido: tinha piscina, videokê, ping-pong, churrasco, cerveja, refrigerante, quadra de futebol, bolo, tudo que um grande amigo merecia.
A comunidade compareceu em peso. Tanto com dinheiro, quanto com a presença.
Famílias inteiras se espalhavam pelo gramado do sítio.
Jonas se sentia como um verdadeiro rei.
Tudo corria na maior tranqüilidade e felicidade. Era o primeiro dia em muitos anos em que o bar do Jonas estava fechado, estavam todos comemorando.
Como toda felicidade não é eterna e nem todas as pessoas sabem beber, um grupo de rapazes se envolveu numa briga e foram expulsos da festa.
Não demoraram muito e voltaram num carro em alta velocidade, armados, atirando em todas as direções.
Alguns policiais que participavam da festa revidaram e pediram reforços às suas delegacias.
Estava formada a confusão: pessoas corriam, tentando evitar os tiros, mães gritavam desesperadas com seus bebês no colo, armas surgindo de todos os lados.
Jonas não acreditava no que estava acontecendo! A sua comunidade pacata e amiga havia virado uma verdadeira guerra.
De onde vieram as armas? De onde apareceram desafetos?
Nunca houve sequer um caso de violência naquela comunidade!
Junto com o reforço policial, veio a imprensa, as ambulâncias...
No dia seguinte estava estampado em todos os jornais: “Chefe da milícia local morre ao ser baleado por grupo rival em festa na comunidade”.
Foram muitos feridos, mas apenas um morto: apenas Jonas morreu em meio ao tiroteio tentando salvar aqueles que tanto amava.
Naquele dia, Jonas morreu duas vezes, pois perdeu a sua integridade sendo comprado a um infrator, coisa que jamais fora em sua vida.